Uma sondagem é um retrato

A abstenção não é partido político e a voz de quem pede mudança tem de se fazer ouvir
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Um momento, um tempo, um período e todos mudamos. Assim se regista a efemeridade dos nossos hábitos, do nosso pensamento e das ideologias que vão governando o mundo e nos vão formando a opinião. Tudo é fugaz e, cada vez mais, à distância de um clique se transforma a opinião pública. E este panorama não muda no que diz respeito à intenção de voto dos portugueses.

Dentro de dias Portugal decide quem governará a nação e até lá todas as reviravoltas são possíveis, desde que garantam um assento parlamentar a quem se dedica a tal missão.

O passado recente de um governo de “geringonça” é o maior indicativo de que tudo pode ser possível. Isto só comprova o que por aí se diz em relação aos “indecisos”, a crescer em número significativo nos cadernos eleitorais e que deixam em aberto uma possibilidade de ver a maioria absoluta a ser conquistada.

Seja à direita, seja à esquerda a formação do futuro Governo de Portugal depende da consciência de quem o faz eleger. Nós, País de “brandos costumes”, deixamo-nos guiar muito facilmente pelas ideias pré-feitas de que “as cores é que contam”, seduzimo-nos pela iliteracia da propaganda e conduzimo-nos como ovelhas em busca da “política” que defendemos.

Os adágios dizem que a política, como a religião, não se discute. Quase que fazemos um pacto à nascença e muito nos impede de mudar a tendência política.

Coloca-se ainda outra questão, não menos importante: que impacto tem uma campanha para eleições legislativas na vida dos jovens? Aqueles que constituem o futuro da democracia parecem não sentir-se representado pelos governantes e pelas suas políticas. As tendências de hoje manifestam-se nos protestos e formas de expressão a que vamos assistindo. A juventude parece, cada vez mais, mostrar que as questões ambientais, a sustentabilidade e o “bem-estar” lhes importam mais dos que as mil preocupações económico- financeiras que preenchem o discurso dos governantes.

Daí que a poucos dias do acto que ditará a governação dos próximos quatro anos será oportuno revisitar os programas eleitorais, não lendo apenas “as gordas”, mas debruçar-se sobre ideias, projectos concretos, intenções que mereçam credibilidade e dar voz ao País que está ansioso por deixar de estar “de tanga” e se vestir da dignidade que merece.

As sondagens são o tal retrato do efémero e cabe aos portugueses, no alcançado direito ao voto, decidir quais as linhas de orientação que traçam o nosso futuro.

A abstenção não é partido político e a voz de quem pede mudança tem de se fazer ouvir por meios que afirmem opiniões e garantam futuro. É “caridade social” participar na vida política e o Papa Francisco afirmou-o, quando a classificou como um “serviço que às vezes requer sacrifício e dedicação dos políticos”. E numa mensagem destinada a um encontro de políticos em Bogotá, em 2017, Francisco falou em nome de todos nós: “é preciso reabilitar a dignidade política e cultivar o verdadeiro senso interior da justiça, do amor e do serviço”.

 

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