Uma nova educação

O nosso sistema de educação mudou de um dia para o outro, à força
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Todos sabemos que o vírus que fez nascer esta pandemia nos trouxe algo que precisaríamos, mas que não queríamos assumir: uma nova educação! Como disse Francisco, naquela praça de S. Pedro, que uma vez mais se encheu de humanidade nesta Páscoa, “vivíamos num mundo doente a pensar que eramos saudáveis” e por isso, é evidente como precisamos de uma nova educação, a todos os níveis!

E é por causa dessa nova educação, do “aprender à força”, que surge agora um novo método de ensino, uma vez que o planalto do número de infetados não permitiu às nossas crianças e jovens o regresso à escola.

Voltámos atrás e a telescola é o meio escolhido para educar e fazer trabalhar os que necessitam de aprender, sobretudo o que não devem fazer com este mundo em que habitamos, aprender uma nova humanidade que esteja para além das relações voláteis em que a economia e o progresso científico iam justificando tudo.

Todos, pais, alunos, professores, agentes educativos, todos estão algo preocupados e “assustados” com a velha novidade. Talvez o primeiro grande desafio será o da motivação dos alunos. O meio tecnológico disponível apesar de mostrar facilmente texto, imagem, números, é introduzido num mundo muito particular, a casa de cada um, o que pode ser bom e tentador a ter aulas no sofá. E a “box” que agora nos permite voltar atrás, pode ser uma mais valia para entender o que há primeira o aluno não apreendeu, mas também um aliciante servidor da preguiça e da indisciplina.

Exige-se por isso, um crescendo da qualidade no método de ensino: o princípio da ludificação das matérias pode ser uma boa técnica, que torna a aprendizagem num jogo e estimula a progressão e a curiosidade. Existem já várias instituições que usam esta técnica para estimular o processo ensino – aprendizagem. Oxalá se aprende com os que já sabem.

Não trabalhar para uma homogeneidade robótica nos alunos, será, no entanto, o outro grande desfaio, porque se afinal precisamos de uma conversão na forma como vivemos e acompanhamos o desenvolvimento digital, podemos criar o risco de nos tornarmos ainda mais dependentes dele.

Entre as vantagens deste método, a possibilidade do aluno acompanhar a exposição da matéria à velocidade que consegue, mais rapidamente na que tem mais facilidade e mais lentamente na que tem menos, é um dado, mas é necessário perceber como se vai gerir esta liberdade.

Cada professor tem de fazer o melhor possível para os seus alunos, diante dos novos paradigmas é necessário um maior foco no que realmente interessa, mas podem passar ao lado as competências, os conhecimentos, as atitudes e os valores.

Talvez seja mais difícil perceber se o aluno está a progredir e avança tendo a matéria consolidada. Só isso permite ao professor a noção do estado de cada aluno e aí se coloca a questão vital: funcionará esta nova educação?

O nosso sistema de educação mudou de um dia para o outro, à força. Podemos converter este problema numa oportunidade de fazer aquilo que seria radicalmente impensável antes: mudar o paradigma e dar o exemplo… ou tentar esquecer que isto aconteceu.

Que aprendamos, para o bem de todos, e passemos todos a ser bem mais educados!

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