Um novo país

A memória será sempre a grande identidade de uma nação, seja nos seus erros, seja nas vitórias e conquistas
0
226

É disso que precisamos, de um novo país. Não o que negue o seu passado, não o que seja apagado dos históricos 800 anos que nos define, não o que nos dá razões de orgulho e esperança, mas sim aquele a que todos desejamos voltar. Portugal precisa de se reencontrar!

O sentimento de nacionalidade e a pertença que nele existe em cada português, sobretudo em tantos que estando longe buscam formas de poder voltar, é deveras uma marca identificativa da nossa portugalidade. Somos o “jardim à beira mar plantado”, o “País dos brandos costumes”, que sempre soube ultrapassar, ou passar ao lado, das grandes lutas mundiais, que sempre viveu aquela passividade de esperar que “isto não nos toque”.

Mas agora não foi assim… aliás, desde há algum tempo que grandes males do mundo e da Europa se têm introduzido neste rectângulo que abre as portas ao Atlântico que nos banha. Agora, o Covid – 19 entrou sem pedir licença e desarrumou um País que ainda não tinha posto ordem às finanças públicas e que lutava dia-a-dia pela sua sustentação.

Os níveis de desemprego aumentam, as famílias carenciadas multiplicam-se, as manifestações dos vários sectores da economia ressurgem, a incapacidade de resposta do Estado manifesta-se e no meio de tudo isto distraímo-nos com debates parlamentares, com discussões ideológicas e com o regresso da Primeira Liga de futebol.

É por isso que precisamos de um novo país, não o que se negue a si mesmo, mas sim aquele que encontre soluções para ultrapassar o momento presente. Precisamos de um País que busque na unidade e na união a resolução dos seus problemas, sabendo que o essencial do momento são as pessoas.

De pessoas se tem falado quando o tema do racismo, da xenofobia, da violência, do género e de tantas outras formas de discriminação têm vindo à discussão. E aí encontramos uma vez mais a razão para o tal “país novo”, onde os cidadãos encontrem realizados os seus direitos à igualdade, independentemente da cor da pele, do sexo, da crença, da cor clubística ou partidária, porque “não há pessoas de primeira nem de segunda”, não há portugueses do Litoral ou do Interior.

Essa tem sido a nossa luta, a da igualdade de oportunidades, a luta de quem se sente marginalizado pelas fronteiras da província que parecem ser um outro Portugal, a quem não foi dado a oportunidade de viver a mesma condição dos grandes centros da industrialização.

Este novo País tem de olhar para o exemplo de resistência e de uma reinvenção sempre nova do Interior para se sustentar a si próprio. Um Interior de onde é caro sair e onde custa a chegar, porque as auto-estradas demoram a pagar, um Interior que paga a cultura a um preço elevado, e por isso a ela não pode aceder tao facilmente. Neste Interior que busca a saúde em Coimbra, ou noutros hospitais centrais, porque ao fim de semana há especialidades médicas que lhe são negadas, busca-se a igualdade, que só pode surgir com uma concepção nova deste país.

Nunca negaremos quem fomos. A memória será sempre a grande identidade de uma nação, seja nos seus erros, seja nas vitórias e conquistas, nunca negaremos a herança da nossa história. Mas há rumos que precisamos de ver mudar.

Fica-nos o desejo e a esperança que reforça a nossa resiliência, que sabemos ser capaz de vencer barreiras e ultrapassar crises. Mas dava jeito ter um “novo país” que não nos fizesse lutar tanto, porque às vezes ficamos cansados. Haja um novo futuro, haja Portugal!

Deixe um comentário