Terras de Santa Maria

Nunca a cultura deste País pode passar por um laicismo total
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A erosão do tempo não destrói a história e a memória de uma nação. Elas permanecem vivas nos povos que se fundam na fecundidade de uma cultura e espiritualidade que criam a sua identidade e afirmam a sua estabilidade.

Este pode ser um dos perigos da nossa nacionalidade, aliás de um sintoma europeu ao esforçar-se por se libertar do seu passado cristão e das suas raízes fundadas no cristianismo, que agora parece já não ser tão importante assim.

Sem apologias ou defesas ideológicas, parece-me que a tese de Eduardo Lourenço, quando fala dos traumas de Portugal, no “Labirinto da Saudade”, é deveras oportuna e repete-se no momento presente. Isto porque as desilusões do momento pagam-se caras e o esquecimento da nossa cultura, mesmo que de raízes cristãs, pode trazer graves consequências na nossa afirmação identitária.

Este domingo celebramos o dia da Rainha e Padroeira de Portugal, assim nomeada por D. João IV, em 1646 em Vila Viçosa. Ele mesmo que tinha sido coroado como Rei de Portugal, a 15 de Dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa, depositou aos pés da Imagem da Imaculada Conceição de Maria o símbolo régio da coroa, e atribuindo à Virgem Maria esse título de majestade no reino de Portugal.

A História do nosso país regista dois grandes momentos na recuperação da nossa independência: a revolução 1383-1385 e a restauração de 1640. Na primeira D. Nuno Alvares Pereira sai como figura de destaque, sobretudo com a construção do mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha.

A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História porque, a Virgem Maria é a figura que os liga. Aliás, já desde o berço da nacionalidade, aquando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de ação de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.

Hoje tudo isto pode soar a um passado desfasado do contexto atual, mas na verdade, sem essa identidade que nos “fundou” colocamos em perigo o futuro. Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma da Imaculada Conceição de Maria, assim proclamado pelo Papa Pio IX em 1854, resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja.

O Portugal de hoje, mesmo que segundo São Nuno de Santa Maria ou D. João IV, demonstram este sentimento religioso em relação à devoção mariana. Fátima continua a ser esse espaço dos que buscam consolação e paz. Por isso nunca a cultura deste País pode passar por um laicismo total, mesmo que as instâncias e instituições o queiram assinalar com algum radicalismo arrogante.

Portugal tem na sua cultura muito do que da devoção à Virgem Maria se pode dizer e isso é inegável. As nossas “festas de verão”, que dão vida às aldeias mais recônditas e despovoadas, não a dispensam do seu padroado e os feriados do 15 de Agosto e deste 8 de Dezembro, ainda que este ano ao domingo, são a prova da sua importância para a nação, para o mundo.

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