Só mesmo um vírus para cancelar o Santo Antão do Colmeal

Diz-se que, no concelho, é talvez a festa popular e religiosa mais forte que existe. Ao longo dos anos, mesmo quando não havia mordomos, o Santo Antão do Colmeal nunca deixou de se fazer. Este ano, face ao covid-19, pela primeira vez não haverá festa
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No Colmeal da Torre é, sem dúvida, a festa do ano. E é considerada por muitos como a mais forte, talvez, em todo o concelho. Nos últimos anos, em algumas ocasiões, não havendo mordomos, o povo uniu-se à última da hora para não deixar morrer o Santo Antão. Mas este ano, em que desde há muito tempo cinco casais já estavam a trabalhar na organização do evento popular e religioso, não vai haver festa. Talvez pela primeira vez desde que há memória. Motivo: a pandemia do covid-19.

“É uma festa que está muito enraizada nas gentes da terra e até do concelho. O povo tem muito gosto em que se faça. Nos últimos anos, só mesmo no último suspiro apareceram mordomos, mas fez-se. O povo nunca deixou morrer o Santo Antão, faz parte do seu ADN, e é esquisito este ano não haver” frisa João Costa, um dos mordomos.

No passado dia 26 de Março, em comunicado à população, a Comissão de Festas explicou à população que face ao estado de emergência em que o País está, devido ao coronavírus, que interdita a realização de eventos, ou ajuntamento de mais de 100 pessoas, bem como limita a realização de celebrações de cariz religioso, os festejos não seriam realizados.

No Colmeal, centenas de pessoas acorrem à festa e, sendo Páscoa, muitos familiares que vivem em outras regiões do País, regressam à terra para estas festividades. Este ano, e como a festa estava agendada entre os dias 11 e 14 de Abril, isso não deverá acontecer, até face à proibição de saída dos concelhos onde se reside. João Costa afirma não ter na memória algum ano em que o Santo Antão não se tenha realizado. “Nunca ninguém previa uma situação destas. Daí nunca termos, até há uns tempos atrás, abortado a sua realização. Mas o estado de emergência alterou tudo. A uma só, vimos ser impossível avançar” afirma.

(Notícia completa na edição PDF)

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