Quando a falta de visão não cega os sonhos

Rute Machado, 15 anos, é cega desde dos seis. Mas nunca desistiu de querer tocar piano
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A Câmara Municipal da Covilhã lançou na passada sexta-feira, 22, o projecto “Arte inclusiva”, que promove o acesso de “pessoas com algum tipo de incapacidade ou deficiência, e também de jovens com limitações financeiras, a diversas formas e expressões artísticas”. A iniciativa ocorreu nas instalações da “Casa dos Magistrados”, onde está patente uma exposição com obras da artista Rosário Belo

O projecto iniciou-se no ano lectivo anterior, como resultado de uma candidatura aprovada pela CIM (Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela) no âmbito do combate ao insucesso escolar. A expressão artística contemplada foi então a dança, mas este ano introduziu-se a música como possibilidade para os interessados, que “não têm qualquer custo” ao buscar este apoio.

Pedro Pais, coordenador da divisão da educação e juventude do município e principal responsável pelo “Arte inclusiva”, diz que esta iniciativa é uma mais-valia para o Município e para as pessoas que, “por muitas circunstâncias se vêem impedidas de desenvolver algum dote artístico” A intenção da autarquia passa por articular e ligar pessoas que exercem alguma forma de arte com pessoas que, detentoras de alguma incapacidade ou deficiência, ou de fracos recursos económicos, revelem nas escolas algumas capacidades e o desejo de desenvolver essa veia artística.

O responsável pelo projecto assegura que assim “o município pode concretizar estes sonhos que são importantes para as pessoas”, tal como o realizou com a estudante do 10º ano na área das humanidades, da Escola Quinta das Palmeiras, Rute Machado.

Rute, jovem de 15 anos, perdeu a visão aos 6, mas nunca desistiu do sonho de desenvolver o seu conhecimento pela música. As circunstâncias familiares obrigaram-na a fazer uma pausa e pela própria “logística do Conservatório da Covilhã” não lhe permitiu desenvolver este gosto. Faltavam também as partituras em braile e Rute teve de parar sua veia de pianista. Depois de ter mudado de escola, no início do actual ano lectivo, veio à divisão de cultura da Câmara pedir que se criassem “condições para as pessoas com deficiência poderem circular livremente na Covilhã” e encontrou-se com esta possibilidade de poder voltar a tocar piano.

A articulação da vontade da Rute com a disponibilidade da professora Fernanda Canaud provocaram uma tarde de recital que celebrou o dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos.

Para a professora de piano, chegada do Brasil em Maio, com uma carreira musical consistente naquele país, esta experiência só demonstra que a Rute tem um “talento brilhante”, porque em dois ensaios cantou três temas e tocou um outro.

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