Notícias além da Covilhã

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Com estes cem anos, queremos inovar, crescer e estar mais presentes

Gabriel Garcia Marques eternizou a literatura com a celebra publicação “Cem anos de solidão”. No romance da década de 80, o autor colombiano desenvolve uma trama em torno de personagens que marcam a narrativa numa pluralidade literariamente encadeada e que desperta o interesse de um final, que acontecerá apenas à morte do último membro daquela família.

Na efeméride do título “Notícias da Covilhã”, surgiu-me fazer deste acontecimento um contraponto à obra colombiana para afirmar que este nosso e seu jornal está há 100 anos a fazer-lhe companhia.

Nascido primeiramente como “Democracia” em 1913, seis anos depois, num tempo de grande instabilidade política mundial, um ano após o final da primeira grande guerra e quando a democracia estava a dar os primeiros passos provindos de uma primeira república insegura, surge a 18 de Maio de 1919 o título sucedâneo de “Notícias da Covilhã”.

Sempre, desde o seu primeiro estatuto editorial o nosso “Notícias” se afirmou como um jornal de inspiração cristã que, ao dar voz à então Beira Baixa, tinha, como tem, a missão de informar os leitores, sempre numa dinâmica que vai além da transmissão pura dos factos, mas sempre iluminando-os com a linguagem e o cuidado que provêm dos bons valores do evangelho.

Um século passado, não deixará de ser assim… A informação nunca poderá ser fabricada, nem manipulada por quem a transmite. As “fake-news”, que parecem ser hoje a realidade mais frequente na nossa comunicação, não cabem na nossa publicação, que continuamos e desejamos ver como uma informação livre, descomprometida, fiel e observadora da realidade do nosso Interior.

A mensagem cristã não pode desaparecer das nossas páginas, porque o intuito primeiro de uma impressão de inspiração cristã é o de espalhar os valores que brotam do Evangelho e com isso marcar a diferença numa sociedade onde o humanismo está a subverter o seu conceito.

Porém, com estes cem anos, queremos inovar, crescer e estar mais presentes. É nossa a responsabilidade de continuar a fazer um jornalismo que sirva a nossa cidade em primeiro lugar, é certo, mas toda a nossa região, que carece de uma informação útil e para além do fútil. 

No Interior há vida e nas páginas de um jornal que vai além da Covilhã, que anima as semanas dos que estão na diáspora, dos que o recebem como “membro da família”, dos que o estimam pelo valor afectivo que ele carrega e por aquilo que ele comporta na tradição da cidade, há o desejo de uma afirmação cada vez maior.

Não podemos passar sem aqui expressar a nossa gratidão a todos quantos dirigiram a redacção e a administração do NC, aos seus colaboradores e correspondentes. Mas a nossa palavra de gratidão maior é dirigida aos nossos leitores. É por cada um dos que encontram no NC uma referência da informação que nos comprometemos a fazer-lhe companhia, além das fronteiras da Covilhã, mas sempre “No Centro da informação”.

Padre Luís Freire

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