“Não me arrependo de nada daquilo que fiz”

Em entrevista à Liga Portugal, o presidente do Sporting da Covilhã, José Mendes, fala dos seus 16 anos no clube, do passado, presente e futuro. Da academia. Das infra-estruturas. E do sonho de levar o clube à Primeira Liga
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“Não me arrependo de rigorosamente nada daquilo que fiz, e voltaria a fazer exactamente tudo da mesma maneira”. É assim, em suma, que o presidente do Sporting Clube da Covilhã, José Mendes, resume à revista digital “Liga-te”, da Liga Portugal, referente a Abril, os 16 anos que já passou à frente do clube covilhanense. O líder serrano lembra como chegou ao clube, as dívidas, o passado, mas também aborda o presente e futuro, bem como a possibilidade de um dia sair.

José Mendes reconhece que nunca lhe passou pela cabeça estar tanto tempo à frente do clube. Aliás, nem pensava um dia ser presidente. “Nunca me imaginei como presidente de nada, muito menos de um clube tão grandioso como este” reconhece. Mas acabou por ser eleito e ficar durante muitos anos. “Pensava em vir para o Sporting da Covilhã para resolver o momento difícil que o clube atravessava em termos financeiros, e acabar por sair meia dúzia de anos depois, retomando a mina vida normal” recorda. O líder serrano diz que quando chegou encontrou um clube cheio de problemas financeiros, pelo que hoje é impossível sequer comparar as realidades. “É uma diferença de um dia para a noite. O clube estava com hipotecas, penhoras e dívidas no valor de um milhão de euros. Hoje somos um clube financeiramente estabilizado. Que não deve um cêntimo a ninguém. Devemos ser um dos melhores clubes nacionais nestas condições” afiança José Mendes.

Depois de “dez anos a pagar dívidas que alguém cá deixou”, o líder serrano avançou com algumas obras, como a requalificação do Estádio José Santos Pinto. “É uma obra inacabada, uma vez que temos vindo a fazer melhoramentos ano após ano, sempre à medida das possibilidades, porque para mim é muito importante fazer e pagar”. Outro dos empreendimentos é a Academia, destinada ao futebol de formação, de onde José Mendes espera que possam sair jogadores que “alimentem” a primeira equipa. “Estamos na parte final do projecto. Primeiro iremos construir os dois campos de piso sintético, destinados à formação” frisa José Mendes, que espera que no início da próxima temporada as equipas mais jovens dos “Leões da Serra” já possam ali jogar.

“Tenho o sonho de subir”

Numa altura em que a época está parada, devido à covid-19, sem prazo para o regresso à competição, José Mendes recorda as duas subidas à Segunda Liga como momentos altos à frente do clube, mas traça para o futuro objectivos ainda mais ambiciosos. Como o regresso ao principal escalão do futebol nacional, onde até à década de 80 o Sporting da Covilhã foi uma presença assídua.

“Tenho o sonho de subir” reconhece o presidente dos “Leões da Serra”. “Aquilo que gostava era que o Sporting da Covilhã estivesse na Liga Nos, ou alcançasse a subida de divisão, no ano do centenário (2023). Era um gosto e é uma ambição minha, que não é desmesurada” garante José Mendes.

Sobre o futuro enquanto presidente, diz que está “com amor e paixão, enquanto me sentir bem e também enquanto os sócios quiserem que eu cá esteja”, lembrando ser reformado e ter muito tempo disponível para o associativismo.

No entanto, José Mendes avisa que muito trabalhou para colocar o clube nos eixos, e por isso, “não vou dar nada de mão beijada a ninguém”. O dia “em que tiver que ir embora, vou com a maior naturalidade” mas “tenho de ter a certeza de que vai ter alguém neste clube capaza de me seguir as pisadas”.

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