Namorar é muito mais

Namorar significa criar, gerar vínculos na perspectiva da comunhão
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A celebração do Dia dos Namorados, desde há bastante tempo, tem vindo a tornar-se uma celebração “comercial”, que constitui um bom incentivo para os pequenos negócios de flores, “gift’s” e restaurantes, que se reinventam para celebrar o amor.

O namoro, do qual ultimamente se tem falado muito, sobretudo, pelas questões da violência a que se tem associado, talvez esteja a ser banalizado de forma leviana. Entre as características que marcam e fundamentam o nosso tempo, o culto da imagem, do corpo, do já, estão a fazer caminhar as nossas relações para a mesma efemeridade que possui uma fotografia na rede social, ou ao tempo de um post no “snapchat”.

Falar de namoro, em sentido cristão, pode soar desde logo a um moralismo, que marca a linguagem da Igreja, e que a compromete e a afasta dos jovens, que vivem esta realidade de forma efectiva. Mas, na verdade, o namoro em sentido cristão nada mais é que um compromisso sério, firmado entre duas pessoas, para que, pelo amor, ambos se conheçam, tendo como luz uma proposta de valores, apontados por Jesus Cristo.

É certo que, hoje, a linguagem dos nossos dias já nem usa a palavra namorar. “Andar” é o termo mais usado. E não é de todo incorrecto, se for entendido o namoro como um caminho de descoberta, de entendimento, de busca de realização e não uma meta. O namoro, reflectido como tema de suma importância, nos muitos encontros de jovens que João Paulo II tanto incentivou, era considerado pelo “Papa dos jovens” como aquele período em que “os namorados são chamados a crescer na comunhão interpessoal e a se prepararem para um acto e estado de consagração total do amor, que chamamos de casamento. A sexualidade deve expressar a total entrega como dom na reciprocidade e fidelidade da aliança esponsal do matrimónio cristão.”

Na comemoração do Dia dos Namorados, não é intenção deste texto fazer qualquer apologia aos temas da castidade ou a uma “puritana” teologia do corpo, que distancia crentes e não crentes dos valores evangélicos e da proposta cristã relativa a estes temas. Sem querer encontrar uma defesa de auto- justificação, será de todo conveniente perceber que namorar significa criar, gerar vínculos na perspectiva da comunhão e vocação matrimonial. Namorar é ser capaz de construir um projeto conjugal de união, que complementa duas vidas, numa realização que vai para além de um eu.

O Papa Francisco, na Exortação apostólica “A Alegria do amor”, defende mesmo que “se exige a toda a Igreja uma conversão missionária: é preciso não se contentar com um anúncio puramente teórico e desligado dos problemas reais das pessoas”. A pastoral familiar “deve fazer experimentar que o Evangelho da família é resposta às expectativas mais profundas da pessoa humana: a sua dignidade e plena realização na reciprocidade, na comunhão e na fecundidade. Não se trata apenas de apresentar uma normativa, mas de propor valores, correspondendo à necessidade deles que se constata hoje, mesmo nos países mais secularizados”.

Quando se reduz a beleza de um namoro a uma experiencia frívola de sexualidade e se faz desta apenas uma consumação da genitalidade, é claro que a linguagem e a proposta da Igreja assusta e distancia quem a ouve. Em sentido positivo, o amor verdadeiro e autêntico é capaz de esperar, de renunciar a tudo aquilo que está reservado para o momento pleno da conjugalidade, para desenvolver a ternura, delicadeza, e a arte de encantar aquela pessoa que se ama.

Feliz dia, para quem namora!

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