Muitos pais

O nosso NC sai para as bancas e não sabemos quando voltará
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Esta semana, no dia em que se assinala o Dia do Pai, e todos sabemos da importância e do significado deste dia, vemo-nos no dever de dar por encerrar a nossa redação e os nossos serviços de proximidade física, pelo papel com que chegamos aos cerca de dois mil leitores do nosso periódico.

Fazemo-lo com um profundo sentido cívico, porque na nossa redação trabalham 6 pessoas, e também porque se prevê que a maioria dos pontos de venda e a nossa gráfica poderão parar durante alguns tempos.

Creio que nesta hora é necessário cumprir tudo quanto nos é sugerido pelas autoridades competentes, mas também de “proximidade” e vivência do Mandamento novo do amor, cuidado do bem do próximo ao cuidarmos de nós. Mas é também um tempo de encontrar esperança e fortaleza, que só em DEUS PAI podemos encontrar.

A figura paternal numa família, embora conotado com uma certa supremacia masculina, sempre se revelou de extrema importância. O “paterfamilias” que nos chegou da cultura antiga, é uma marca caracterizadora da nossa identidade, não apenas latina, mas mundial.

O homem que transmitia segurança, que era por assim dizer a fonte de sustentação do lar, que promovia a formação cívica e instruía no trabalho os seus filhos, já não é o mesmo…

Hoje, muitas ideologias procuram demonstrar que a figura paternal, no seio de um lar, pode ser substituída facilmente e vice-versa. Propaga-se uma certa ideia de que não faz assim tanta falta e que aquilo que um pai transmite qualquer pessoa o pode transmitir.

A multiplicidade de situações, as “novas famílias”, as rupturas matrimoniais, a falta de compromisso e, no fundo, a mudança do paradigma cultural, dão-nos a certeza de que hoje há “muitos pais” e muitas formas de o ser.

Impossível negar que há um sem número de mulheres, por esse mundo fora, a cumprir uma missão duplamente extraordinária de ser mãe e ser pai de muitas crianças, adolescentes ou jovens que não tiveram a oportunidade, seja lá qual for o motivo, de receber o tal afecto, protecção e cuidado da figura paterna.

É a visão de uma nova realidade que nos leva a perceber o valor destas situações e do importante contributo de tantas e tantos que vão assumindo esse lugar paternal em tantas situações de orfandade.

Mas um pai… é um pai! Ele é insubstituível, não somente pela figura masculina que, juntamente com a mulher, completam a estabilidade de um lar, mas por tudo o que ele consegue, realiza e se esforça na conquista dos seus filhos. E que falta ele faz?!

Nesta hora todos precisamos de olhar para a figura de DEUS PAI e sentirmo-nos no seu colo, porque no colo do pai sentimos a segurança e paz que agora todos buscamos e merecemos.

O “pai” da Igreja, cumpre também hoje sete anos da paternidade espiritual dos católicos. Falamos de Francisco, que entre as diversas batalhas do tempo presente nos parece que vai “perdendo” algumas delas, porque a ala conservadora é demasiadamente resistente.

Desde há sete anos que o seu entusiasmo e convicção de “renovar” a Igreja se manifesta como um desejo que lhe brota das entranhas. Desse desejo brotaram já quatro Sínodos com temas e assuntos relevantes para o nosso tempo. A família foi precisamente a que deu mote a um deles.

Antes desse acontecimento ocorrido em 2014 e 2015 em Roma, do qual brotou a exortação apostólica “A Alegria do Amor”, já Francisco tinha defendido as mães solteiras, não “condenara” os homossexuais, abria as portas à aceitação dos recasados e fazia sentir a sua preocupação pelos que se sentem discriminados dentro da Igreja.

As conclusões daquele sínodo não lhe permitiram os “avanços na doutrina” que o mundo ansiava com um significativo entusiasmo. O Papa (pai) bem que se esforça por pôr ordem nesta sua e nossa casa, mas há muitas gavetas por arrumar e sozinho não será capaz, porque tudo pesa muito e não são apenas os seus quase 83 anos.

Entretanto cá nos fica a beleza e o afecto das suas palavras, proferidas neste mesmo dia em 2015: “Os pais devem saber ser pacientes. Às vezes, não há outra coisa a fazer que não seja esperar, rezar e esperar com paciência, doçura, magnanimidade, misericórdia. Um bom pai sabe esperar e sabe perdoar.”

Aprendemos com ele, que é um bom pai e que mesmo “fechado” dentro dos muros do Vaticano está unido à quarentena do mundo.

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