Mais um para além de 100

A experiência da primeira grande guerra e “os loucos anos 20” foram o berçário do nosso jornal, o que comprova a sua capacidade de resistência
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O Notícias da Covilhã, com este título, cumpriu esta segunda-feira, 18, mais um ano da sua existência centenária, enquanto semanário mais antigo do distrito de Castelo Branco.” A Democracia”, de quem herdou a tarefa de continuar a informar, numa era tão conturbada, como foi a da segunda década do século XX, fora extinta por razões ideológicas do tempo. O título era suficientemente desafiador para o tempo em que se implantava a Républica.

Os princípios de informar e levar o leitor à notícia, de transmitir os valores e a verdade segundo os princípios evangélicos, nunca poderiam ter saído da linha editorial de um semanário de inspiração cristã. E por isso, foi preciso reinventar a forma de estar, a maneira de informar, a audácia de se afirmar como órgão de comunicação social da Covilhã, da então Beira Baixa, da Diocese, do País e pelo mundo.

O ano de 1919, em que nascemos, conta-o a história, não foi menos difícil do que este que vivemos: a pneumónica ou gripe espanhola ocupou grande parte das páginas dos últimos números do “A Democracia”. A experiência da primeira grande guerra e “os loucos anos 20” foram o berçário do nosso jornal, o que comprova a sua capacidade de resistência e força para continuar a missão de informar e estar perto da comunidade.

Os tempos de hoje não são favoráveis a uma imprensa regional. Os desafios são constantes como permanentes são as barreiras que a vida social e a cultura do momento nos coloca. Vivemos do efémero que hoje, muitas vezes, parece esgotar-se nas redes sociais e na distância do clique. Faltam os meios para subsistir e os apoios que manifestem o reconhecimento de que um jornal com 101 anos teve e tem um papel relevante na história de uma cidade, de um país.

E por isso, a vontade de continuar e o desejo de persistir, na missão de informar, são ainda maiores. Não nos valemos dos louros que não temos, mas há uma história centenária que fala por si: o Notícias da Covilhã tem o seu lugar na região!

Tudo isto se alcançou com a determinação de muitos dos diretores que buscaram soluções e respostas para cada tempo, de jornalistas e colaboradores que assumiram, como hoje, o dever de estar perto e no centro da informação.

Não posso, por isso, deixar de valorizar a constante tensão e a grande tarefa de quem trabalha num semanário regional. O perfil de um jornalista da imprensa regional é semelhante ao de um “trabalhador por conta própria”, sabendo das regras que tem de respeitar. A tensão de cada jornalista afirmar a sua autonomia e a sua liberdade de expressão em diálogo com a deontologia e a ética que exige cada notícia e reportagem merecem por si só todo o respeito de quem recebe a informação.

O incerto de cada momento, a espera por um dado que não chega, a credibilidade das fontes a usar, a linguagem a escolher e a prosódia que se imprime a um texto, tudo constitui motivo para que se admire e qualifique um bom trabalho. E é esse que hoje quero valorizar.

O jornalismo está para além de pequenos “posts”. Exige investigação, ir ao encontro, estar perto, buscar verdade, responder concretamente ao que foi e é acontecimento e não se limitar a emitir uma opinião pessoal. Desempenhar a missão de informar não nasce de uma vontade pessoal, nem de um desejo de auto-afirmação; surge de um compromisso social e de um dever de estar presente nas esferas multiculturais dos nossos tempos.

É isso que, lutando contra todas as dificuldades, continuaremos a fazer, por si, pela Covilhã, pelo Interior! Estamos e estaremos “No Centro da informação”!

 

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