Levas a máscara?

Das crises surgem oportunidades. Oxalá a nossa região a saiba aproveitar
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Esta é quase de certeza uma das perguntas mais ouvidas nos últimos tempos e que se escutará seguramente à hora de fechar as portas, arrumar a bagageira e rumar às tão merecidas férias que este 2020 nos promete.

Mas tão certa como a pergunta sobre o uso do novo utensílio de primeira necessidade, há uma outra: será que o covid-19 também nos vais mudar as férias para sempre?

O tempo de confinamento e todos estes dias que lhe têm seguido, marcados pela clausura, pelo medo, por perdas e incertezas em relação ao futuro, recebem do calor do Verão uma esperança nas tréguas, a muitos níveis.

Os operadores turísticos, os agentes hoteleiros, as empresas de restauração e todos os serviços que lhes estão associados ou dependentes procuram reerguer-se. As famílias buscam um pouco de sossego, noutros horizontes, que estejam para além das quatro paredes das suas casas, e levam na bagagem um 2020 cansativo e pensoso que parece não ter fim.

Destas férias há muito para descansar. Aprender a parar e a valorizar o que estávamos a colocar à margem dos nossos hábitos. Com as viagens internacionais sujeitas a enormes restrições, a diminuição do rendimento disponível de muitas famílias e o medo de se expor ao risco que implica neste momento viajar, vive-se o tão anunciado lema do Turismo de Portugal “vá para fora cá dentro”. Não será caso único o de Portugal. Mas é única a nossa riqueza e capacidade de reinvenção.

O destino das praias, dos mais preferidos pelos portugueses, agora começa a mudar. O semáforo pode estar vermelho e ainda não chegámos ao exemplo da Itália, em que parecia estudar-se a possibilidade de criar separadores de acrílico nas praias, para delimitar o espaço entre banhistas.

São novas as férias, porque agora o Interior, as praias fluviais, os turismos rurais, a montanha, a aventura, passaram a ser destinos de preferência mesmo que as novas regras de utilização dos espaços obrigue a novas adaptações.

É expectável que os serviços de take away ou de entregas se sobreponham àqueles jantares de alegria e harmonia, de reencontros e celebração. É provável que as noites sejam mais curtas e menos “ruidosas”. Espera-se que a circulação nos espaços seja regrada e sem atropelos, mesmo que as filas se prolonguem dos metros aos quilómetros.

O novo coronavírus será omnipresente: é necessário garantir o distanciamento social e a segurança das pessoas. A higiene e a limpeza, a segurança e o cuidado serão palavras-chave para a retoma da actividade turística. Em Portugal e no mundo inteiro.

Creio que depois do vírus covid-19, pensaremos muito mais em procedimentos de higiene, em preços e hábitos novos para as nossas férias. Uma vez mais nos reinventaremos e o nosso Interior poderá receber uma benesse na sua valorização.

Das crises surgem oportunidades. Oxalá a nossa região a saiba aproveitar como resposta aos muitos atrasos na oportunidade de afirmarmos esta parcela do território na igualdade com os meios de maior densidade populacional e desenvolvimento.

Oxalá o Governo não tenha vindo a usar a máscara da falsa preocupação para com quem tem vindo a ser tão prejudicado por outros vírus territoriais.

 

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