Governo admite crédito bonificado na cereja

Para ajudar produtores a fazerem face aos prejuízos
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O Governo vai estudar a possibilidade de criar uma linha de crédito bonificada para responder aos prejuízos superiores a 70% registados na produção de cereja devido às condições meteorológicas adversas, anunciou na passada sexta-feira, 22, no Fundão, a ministra da Agricultura.

“Uma das medidas que, eventualmente, podemos vir a estudar, é a da criação de uma linha de crédito bonificada para ajudar, de facto, a haver um reforço adicional de tesouraria e de fundo de maneio para passagem desta fase”, apontou Maria do Céu Albuquerque. A ministra falava no fim de uma visita que realizou ao Fundão, concelho que é considerado uma das principais zonas de produção nacional de cereja e que este ano regista quebras na ordem dos 60 a 80%. Segundo os dados mais recentes apontados pela Câmara do Fundão, os prejuízos directos poderão chegar aos 10 milhões de euros.

Os produtores garantem que dificilmente haverá memória de um ano tão mau e falam de uma situação “profundamente dramática”, que a ministra da Agricultura verificou no local. A governante iniciou a visita num dos pomares das “Frutas Salvado”, onde as perdas são significativas e onde pôde ver nas árvores vários ramos de cerejas que não vingaram, bem como muita fruta “rachada”, que não tem aproveitamento comercial. “Não somos muito de pedir, mas neste momento precisamos mesmo de apoio. Sem esse apoio, não é possível, só por nós, conseguirmos dar a volta”, referiu o presidente da Câmara do Fundão, num apelo dirigido directamente a Maria do Céu Albuquerque.

O autarca também apresentou algumas propostas para ajudar a minimizar os problemas, nomeadamente a de que seja criada uma linha de crédito com cerca de 10 milhões de euros e com pelo menos um ano de carência e uma maturidade de cinco a seis anos. Paulo Fernandes defendeu ainda necessidade de que “todos se sentem à mesa” para, “de uma vez por todas”, se analisar a questão dos seguros para a fileira da cereja, que mantém inscritos valores de “há quase 20 anos”, levando a que adesão dos produtores seja muito diminuta.

Sem apontar o valor que poderá estar em cima da mesa, Maria do Céu Albuquerque já tinha prometido estudar a possibilidade de criar uma linha de crédito bonificada para ajudar os produtores de cereja e também revelou que a comissão técnica que analisará os seguros de colheita reunirá “em breve”, mas não deixou de reiterar a importância de os produtores aderirem aos seguros. Além disso, sublinhou que as medidas criadas no âmbito da covid-19 “vão influenciar positivamente” aquele território, uma vez que estão acessíveis a todos os produtores com perdas de rendimento.

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