Esta hora precisa de verdade

Este é também o tempo de nos recriarmos e ousarmos a nossa criatividade
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As palavras parecem já estar gastas, com tanto que se tem dito e escrito, publicado e comentado a pandemia, que “ainda agora começou.” Grandes reportagens, muitas notícias, imagens assustadoras, dados sempre alarmantes e uma curva que nos limita o horizonte. Muito se diz em publicações, vídeos e fotografias, comentários e artigos de opinião, pseudocientistas a confundir-nos e um exacerbado consumo de informação que nos assola em cada segundo.

É um dos perigos deste tempo de pandemia, como de resto das grandes polémicas ou temas jornalísticos mediáticos: a exigência da verdade na informação, que nestas circunstâncias é de extrema necessidade, nem sempre é cumprida e respeitada.

Num tempo em que todos vivemos uma certa “desorientação”, o contexto da verdade que deve nortear a comunicação social, temos de condenar a multiplicidade de informação e uma certa “necessidade de palco” dos muitos que desejam ser uma voz social.

Procurando o respeito por cada um e pelo espaço dado às redes sociais, não temos como se não condenar a falsidade ou o medo como estratégia para alcançar notoriedade.

O NC, não se lança nessa aventura de noticiar o desconhecido, apenas para encher as suas páginas e entupir a web com informação desenfreada. Este é também o tempo de nos recriarmos e ousarmos a nossa criatividade.

Por isso, nesta edição do nosso semanário, apresentamos um grande trabalho de fotorreportagem do fotógrafo Carlos Pimentel, ilustrado por um texto de Nuno Marques, como rosto do que se passa pela nossa Covilhã.

O conjunto das 10 fotografias que ocupam as nossas centrais são uma imagem da cidade parada, aquela que muitos já não vemos há dias, das ruas pelas quais já não passamos há algum tempo, dos rostos dos que estão por aí ainda ocupados com o bem de outrem ou simplesmente dos que não podem estar com quem querem.

É este o jornalismo que continuamos a realizar, mesmo que num tempo tão difícil e também de grandes oportunidades. Todos passaremos por dificuldades consequentes e nunca mais seremos os mesmos. Mas a esperança de que as ruas da cidade se tornem mais próximas, de que os rostos deixem de ser anónimos e de que as relações se pautem pela verdade continuarão a ser uma obrigação da nossa forma de comunicar e informar.

O Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, dos Bens Culturais e das Comunicações Sociais, D. João Lavrador, em carta enviada aos jornais de inspiração cristã, garantiu que já fez o apelo aos “Governantes e Autoridades Públicas para que sintam o dever de atender e prestar as medidas de apoio necessárias para que a comunicação social regional possa continuar a desempenhar a sua missão. Em tempos de tanta calamidade, contamos e confiamos na comunicação social feita com profissionais que zelam pela verdade e pelo bem comum, e promovem a esperança.”

Norteia-nos esta missão, cumprimos uma informação de proximidade, o estar perto dos que estão distantes e isolados e a defender aqueles que não têm voz e tentamos colaborar na construção de uma sociedade mais coesa e mais solidária, na dignificação de todas as pessoas e na promoção da sociedade.

Estando longe de nós estiveram bem perto o Cardeal António Marto e o Papa Francisco que carregaram Portugal e o mundo em dois momentos de significância extraordinária para crentes e não crentes. Os gestos de oração e consagração realizados são um sinal claro do abraço de que o mundo necessita nestes tempos. Aquela praça de S. Pedro cheia de vazio clamou a verdade de que o mundo necessita.

Que haja gestos proféticos que anunciem a esperança. Temos sede de tempos novos!

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