Espaços para venda de comida para fora tiveram quebra

Os estabelecimentos de pegar e levar as refeições já prontas registaram uma redução no movimento na ordem dos 50 %
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Com os cafés e restaurantes encerrados, devido do estado de emergência decretado pelo Governo para conter a pandemia da covid-19, restam os estabelecimentos de venda de comida para fora, mas o isolamento social fez cair para metade a procura nos take-away da cidade.

Os clientes vão entrando por ordem e, cada vez que faz um atendimento, Hortênsia Martins desinfecta as mãos. Quando tira mais uma dose de batatas da fritadeira, a funcionária limpa o balcão, maçanetas, os pontos de maior contacto com o público. Na churrasqueira Frango na Brasa estes procedimentos tornaram-se uma rotina muito frequente.

Não foram só os cuidados redobrados com a higienização que mudaram. Desde o início da semana passada, quando grande parte da população passou a estar em teletrabalho ou a cuidar dos filhos, o movimento caiu para metade e desde essa altura que o estabelecimento deixou de abrir à noite.

De máscara, as únicas que têm, por não conseguirem comprar mais, Hortênsia Martins frisa ter reduzido a oferta. Passou a fazer apenas um prato diário e a quantidade dos grelhados reduziu drasticamente.

Evitar que os clientes se concentrem

António Figueira, proprietário de O Torradinho, casa com seis pessoas a trabalhar, nota que o volume de negócio também se ressentiu na conhecida casa da Rua Mateus Fernandes. Há muito menos gente, especialmente à noite. “Nos dois, três primeiros dias em que as pessoas ficaram em casa, houve uma quebra superior a 50%”, conta.

Mantém os produtos habituais. A diferença é que passou a aceitar encomendas de frango por telefone, o que antes não acontecia, por “ser uma coisa que está sempre a sair”. O objectivo é procurar que os clientes estejam o menor tempo possível no espaço e seja apenas pegar e levar. Com a redução do movimento, António Figueira passou a fechar uma hora mais cedo.

Houve mais alterações n`O Torradinho. Passaram a existir maiores cuidados no atendimento ao público. “Há um maior afastamento entre as pessoas e entre nós e os clientes”, conta o proprietário da churrasqueira. A lavagem frequente das mãos tornou-se instintiva e também aqui as áreas em maior contacto com quem entra são higienizadas com regularidade.

Empresa de entregas suspendeu a actividade

Hortensia Martins não permite a acumulação de pessoas no interior do seu estabelecimento, na Rua da Igreja, Penedos Altos. Receia os impactos da situação que se vive, mas não pondera fechar. “Tenho alguns clientes idosos e sei que, se não estiver, não vão fazer uma refeição de lume, comem uma sandes”, salienta a proprietária do Frango na Brasa.

Faz uma sopa diferente todos os dias. Já foi fazer uma entrega e sugeriu ir levar a encomenda a mais um ou outro cliente habitual de idade mais avançada, mas repara que preferem levantar na loja, para espairecerem durante o percurso.

À queda acentuada, juntou-se outra contrariedade. A empresa de entregas ao domicílio com que trabalha suspendeu a actividade, retomada esta semana. Enquanto limpa mais uma vez a bancada, Hortensia Martins confessa alguma apreensão com a incerteza que se vive, mas considera ter também uma missão a cumprir. “Nós vamos tentar não parar e fazer o nosso melhor”, diz a empresária, que desde a semana passada deixou de precisar da ajuda de uma pessoa que colaborava a tempo parcial.

Produtos de higiene mais caros e difíceis de encontrar

Desinfectar, desinfectar, desinfectar. Parece ser a palavra de ordem, mas manter a higienização não sai barato. Os preços subiram ou não há resposta às solicitações. Quando acaba, enche-se novamente o recipiente de gel em cima do balcão. Por cinco litros, Hortênsia Martins deu 40 euros, acima do valor habitual. “Espero que o que tenho chegue. É caro, mas é para nossa protecção e dos clientes”, realça.

“A sorte” de António Figueira foi ter em armazém o produto. “Já perguntei a vários fornecedores e, neste momento, não têm”, vinca. “A nossa sorte é que já cá tínhamos”, acrescenta.

Carlos Teófilo, 51 anos, trabalha sozinho no seu gabinete de projectos e a esposa, professora, está a trabalhar em casa, com o filho. Hoje não houve tempo para fazer o almoço e “dá jeito” ter onde recorrer. Enquanto faz o pagamento no Frango na Brasa, enfatiza ser importante estes espaços continuarem a funcionar. Os receios são afastados “pela confiança na casa”. “Conheço e parto do princípio que as pessoas têm os devidos cuidados de higienização”, reforça.

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