Efeitos do Covid-19 – coronavírus

A epidemia que agora nos perturba o sono está a ensinar-nos que devemos ter mais cuidado com alguns dos hábitos com que lidamos a toda a hora
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Sérgio Gaspar Saraiva

A Quaresma sempre foi um período de reflexão, de esforço mental, de sacrifícios, com olhos postos no além. Este ano o coronavírus associou-se a tão reconhecida quarentena ultrapassando os desafios quaresmais e alertando-nos para um outro mar de realidades para o qual não estaríamos minimamente virados. Os desafios ambientais e outros que nos vão perturbando o dia-a-dia, num rápido passaram-nos ao lado e os de caráter doentio é que se colocaram na nossa linha da frente com uma abrangência a que não estávamos muito habituados. Os contactos de proximidade foram desaconselhados, por motivos de contágio, e o campo da saúde trouxe-nos dilemas a que não estávamos habituados. Amistosos convívios tiveram de ser evitados ou modificados na sua forma de estar. Muitos dos aglomerados de gente tiveram que ser suprimidos. Escolas foram encerradas, universidades seguiram o mesmo caminho, visitas hospitalares e outras, de caráter social, foram condicionadas, encontros desportivos alterados, celebrações religiosas modificadas. O coronavírus conseguiu pôr-nos num alerta extremo para o qual nunca nos sentimos tão norteados.

É comum dizer-se que com os erros é que a gente aprende e este período de contactos com caris doentio, mesmo contagioso e até mortífero, trouxe-nos momentos de reflexão a que muitas vezes não ligamos e com os quais deveríamos ser mais cuidadosos. Prevenir é uma atitude que não podemos esquecer e não apenas nos aspetos relacionados com as formas de saúde com as quais agora lutamos, mas em muitas outras situações que nos vão acontecendo, mas só depois de verificadas é que pensamos que não deveríamos ter feito assim. A epidemia que agora nos perturba o sono está a ensinar-nos que devemos ter mais cuidado com alguns dos hábitos com que lidamos a toda a hora. Eles nos podem provocar danos físicos e mentais com impactos variados no habitual relacionamento social. O coronavírus e sua proliferação está a ensinar-nos formas de evitarmos sérios problemas não apenas com uma cuidadosa lavagem das mãos, mas com atitudes a que poucas vezes ligamos porque na rotina não estamos a olhar para o significado de muitas coisas em suas causas e efeitos. O alarido que o vírus agora tão badalado nos provocou e se foi alastrando rapidamente por muitas e variadas comunidades faz-nos pensar que teremos que ser mais cuidadosos não apenas nas artes linguísticas, mas nos contactos físicos a que nem sempre ligamos porque pensamos que está tudo bem e o outro é que deve ter mais juizinho na cabeça. O coronavírus meteu-se também com o mundo económico, colocando em alerta investidores empresariais que nunca terão, por certo, pensado que um simples vírus poderia intrometer-se no seu mundo económico/financeiro, inclusivamente nos movimentos aéreos que também parecem estar já a sentir-se bem abanados.

Esperemos que o saber e a vontade humana depressa consigam pôr de pé remédios que permitam evitar a situação de caos em que nos encontramos e que ainda não sabemos o modo de ultrapassá-la. O esforço coletivo terá que ser alavanca para superar o mal que nem sabemos ainda bem de onde terá vindo ou como terá aparecido. O que dizemos muitas vezes é que há males que surgem por bem. Esperemos então que o coronavírus se afaste rapidamente e nos deixe em paz para vivermos fraternalmente o santo período quaresmal, onde as celebrações comunitárias são marcas que nos fazem crer numa esperança de futuro mais digno, envolvido em braços de paz, de saúde e de uma merecida graça.

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