É um grande privilégio colaborar para este jornal

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A História constrói-se, principalmente, através do registo escritodos acontecimentos que são considerados significativos para uma determinada comunidade. Aliás, é crucial enfatizar o facto que as palavras, uma vez que são gravadas no papel, têm mais garantias de não serem tão efémeras como uma “panapanã”, isto é, uma nuvem de borboletas; de resto, não é por um acaso que, já entre os antigos romanos, se difundira o ditado “verba volant, scripta manent”.

Esse breve preâmbulo logo nos serve como ponto de partida para a seguinte reflexão: como se poderá, quando se quiser estudar a História da Beira Interior, ignorar a incontornável contribuição que, para o efeito, foi disponibilizada durante um inteiro século pelo jornal Notícias da Covilhã?

Celebra-se, pois, neste ano de 2019, o centenário daquele que é “semanário mais antigo do distrito de Castelo Branco”. No entanto, é preciso relembrar que o longínquo 1913 – data de fundação atestada no cabeçalho desse semanário – corresponde, com efeito, ao ano de nascimento desse jornal, mas que, naquela época, ainda se chamava A Democracia; contudo, foi só seis anos depois, ou seja, em 1919, que o mesmo mudou o seu nome para Notícias da Covilhã– o qual perdura na atualidade. 

Sendo inegável que, nos últimos cem anos, aconteceram imensuráveis mudanças tanto no que diz respeito ao contexto cidadão covilhanense mais stricto sensucomo àquele concelhio e distrital, o jornal Notícias da Covilhã terá sido tal como uma barragem indispensável onde foram feitas confluir várias correntes de informação, sem excluirmos a igualmente importante presença de esporádicas contribuições em forma de crónicas e artigos de opinião – enquadrando-se nesta última categoria também a minha modesta contribuição para este semanário. 

Ora, aproveitando deste ensejo de comemoração, torna-se necessário revelar dois dados que, baseando-me na minha ligação pessoal com o Notícias da Covilhã, considero bastante significativos: em primeiro lugar, ressaltar que o fator principal que inspirou esta minha aventura dentro deste meio de informação covilhanense foi, sem sombra de dúvida, a leitura de alguns textos de António Riço recolhidos no livro Revivências, que inclui várias crónicas que foram publicadas no mesmo Notícias da Covilhã; e em segundo lugar (e como consequência direta desse primeiro ponto), foi neste jornalque vi, pela primeira vez na minha vida, um texto meu impresso no papel, destacando, aliás, o facto não irrelevante desses meus artigos serem escritos não na minha língua materna (o italiano), mas sim naquela de eleição, isto é, o português. Pois, apesar de me considerar ainda bastante “verdinho” nesse meio, para mim é um grande privilégio colaborar para este jornal, no qual noto que, tendo a minha própria experiência como exemplo tangível, existe uma abertura que consente uma troca contínua e recíproca entre partes que carregam diferentes bagagens culturais. 

Finalmente, depois de ter batido em várias portas vi-me acolhido; e, juntamente, o fluxo da minha inspiração já foi canalizado para um lugar onde, ficando em recolhido sossego, pode vir a ser aproveitado por aqueles que encontrarem deleite em beber conhecimento das nossas reservas. 

Por isso, apenas me resta agradecer, desde o fundo do coração, pela oportunidade de poder estar a acrescentar mais umas gotinhas a essa grande barragem que continua a projetar a Covilhã e a Beira Interior para o mundo inteiro: um grande bem-haja beirão.

*texto escrito segundo o novo acordo ortográfico

Riccardo Cocchi

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