E agora que voltámos?

Este será o tempo da Igreja se renovar na presença
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É decerto uma das perguntas que se nos coloca a todos… E agora que voltámos a uma nova normalidade, de rosto escondido e de máscaras a tapar a expressão do que nos vai na alma, perguntamo-nos: como vai ser?

Desde o tão aguardado 1 de Junho que muito das nossas relações interpessoais, institucionais e comerciais buscam uma nova força. Mas tudo arranca com uma cautela que nasce do medo e dos anseios. Notam-se os “pezinhos de lã” a percorrer um caminho novo, e inseguro, porque desconhecido.

A Diretora da Direção Geral da Saúde, Graças Freitas, tem feito o apelo a que “quando o país retomar a atividade profissional e escolar, terá que o fazer com outras rotinas, com outras práticas no nosso dia a dia, que têm como objetivo prevenir a infeção” pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Entre as práticas recomendadas destacam-se a higiene das mãos, o isolamento social, as medidas de etiqueta respiratória e a limpeza de superfícies, mesmo sem se saber se o vírus sobrevive durante horas e até dias em superfícies. E com isso vem o uso das máscaras ditas “sociais”. Não as que já existiam, e que de vez e em quando iam pondo a nu as mais diversas vergonhas que enfatizavam a surpresa do país, que sempre soube o que era a corrupção e a fraude.

Agora é a máscara que protege, a que nos é pedida. Mas será também a máscara que provoca a indiferença? Não esconderá ela muito da nossa existência? É que se os olhos são o espelho da alma, o sorriso é a moldura desse espelho. E um espelho sem moldura perde interesse, fica vazio e falta-lhe totalidade.

E assim continuaremos a viver a partir de agora: a mostrar olhos cansados, desiludidos e sedentos de esperança, mesmo querendo quebrar com tudo isso. Este será o tempo da Igreja se renovar na presença. Não podendo estar fisicamente perto, terá de se reinventar em lugares em que manifeste a sua presença. Já não é suficiente a religião do templo, da lei canónica e das regras morais que apontem caminhos de retidão e às vezes mascarados.

É hora de estar perto, sem clericalismos e liturgias prolongadas, secas e sem que reguem de esperança os olhos que querem encontrar na Fé a solução para continuar e não desistir da penosa caminhada do incerto. Esta é a hora oportuna para a Igreja Católica se revitalizar e mostrar que aquele “comodismo” de fazer “o que sempre fez” não é suficiente para ajudar cada pessoa a reconhecer no Deus de Jesus Cristo a razão da esperança.

Agora que voltámos: é hora de abrir portas não para ver os templo cheios, mas para sair para as periferias das famílias em dificuldades provocadas pelo desemprego; é hora de ir ao encontro dos ostracizados e desprezados; agora que voltámos é hora de nos despirmos da nossa “magnanimidade litúrgica” para lavarmos os pés, apenas com um manto à cintura. Se não o fizermos, então não aprendemos nada.

Não importa a hora da missa se não houver noção do momento da missão, que é este, concreto, real, urgente.

Agora que voltámos, é o tempo certo para levar a mensagem cristã, através dos gestos simples, e à maneira de Jesus, quando entrou naquela casa onde estavam os apóstolos com medo: rompeu barreiras e disse-lhes: “A Paz esteja convosco!” Esta é a hora de levar paz e pão, agora que voltámos!

 

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