Covilhã: a cidade vista “por dentro”

Cidadãos dizem o que pensam da cidade, o que mais falta faz, e as suas virtudes
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Passa o tempo pela cidade. “A dar umas voltinhas”. Reformado, Manuel Torrão da Silva, 78 anos, vai ocupando o tempo ali pela zona do Pelourinho. E vendo. As obras que avançam no antigo BNU, ou na ex-esquadra da PSP. “Vá lá tirar uma foto” desafia. Covilhanense de gema, diz que sempre viveu na cidade que hoje olha de forma diferente. Mais evoluída. Transformada. Mas com algumas falhas. “A Câmara não pode fazer obras em todo o lado, em todos os cantos. Mas há sítios que são uma autêntica pouca vergonha” afiança o ancião.

Quando a Covilhã comemora 149 anos de cidade, Manuel lembra os tempos em que, para comer peixe fresco, “sabe-se lá se o era”, ele vinha de outros locais no comboio. “Eu moro na Travessa do Tinte. E vejo bem como as coisas mudaram. Era por essa quelha que, a cavalo, se ia à estação buscar o peixe quando vinha” assegura, exemplificando o som do trote que se habituou a ouvir de pequeno. Hoje, “felizmente, não é nada disto. É algo adquirido por nós, que vamos às compras e temos peixe” frisa. O senhor Torrão, que nos consegue dizer quase todos os nomes de ruas que existiam e mudaram de denominação, acredita que hoje a Cidade Neve tem “muita coisa positiva”. Por exemplo, “os museus. Temos muitos e as pessoas nem sabem que existem. Às vezes criticam por criticar” acusa. Mas será tudo bom? “Ó menino, claro que não. Mas não podemos só falar mal. Para mim, a nódoa mais negra são as casas a caírem. Na Covilhã antiga, há ruas onde está tudo a cair de podre, como na zona da antiga judiaria. Há sítios onde não há quase nada. Nem pessoas, nem comércio, que ninguém vai abrir lojas em casas degradadas” afirma. Para Manuel Torrão da Silva, “que torrões há muitos, mas torrões da Silva nem por isso”, também a limpeza da cidade é algo a melhorar, embora aí responsabilize também a sociedade civil. “Se queremos evoluir, também nós, cidadãos, temos que dar o exemplo nesse aspecto” remata.

Há bem menos tempo na cidade está Rogério Gesteira, 44 anos. Natural de São Salvador da Bahia, este empresário veio acompanhar a esposa para a Covilhã, já que esta está na UBI a tirar um doutoramento. Chegou apenas em Agosto, mas gosta do que vê. “É uma cidade bem positiva. Existe tranquilidade, segurança e acolhimento. As pessoas são muito acolhedoras. O custo de vida é bem em conta, mesmo transpondo o valor do Euro para moeda brasileira. A localização geográfica também é uma vantagem, já que estamos perto de várias cidades e de Espanha. Sempre se podem fazer essas pequenas viagens” afirma.

(Reportagem completa na edição papel)

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