Covid-19 fez a Pharmapoli trocar os cosméticos pelo desinfectante

A empresa tencionava começar a laborar por estes dias, a produzir cosméticos, mas acelerou a entrada em funcionamento e orientou-se para um produto inesperado: uma solução hidroalcoólica
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Estava previsto a Pharmapoli iniciar no primeiro trimestre deste ano a actividade, com a produção de cosméticos e dispositivos médicos. O aparecimento do novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, obrigou a empresa a alterar os planos. As responsáveis aceleraram a organização das instalações provisórias e o foco foi orientado para um produto que não estava no horizonte, mas que acabou por ser o primeiro: uma solução hidroalcoólica.

Em tempo de crise a empresa, com sede na Covilhã, optou por se adaptar à realidade actual e estrear-se no mercado com um produto de marca própria, quando a génese é a produção para terceiros. O pequeno lote experimental, de 12 litros, foi de imediato vendido. Na próxima semana, assim que chegar a matéria-prima em falta, começa a ser preparado uma nova porção, de 300 litros, já com muitas manifestações de interesse, segundo as responsáveis, que ponderam, tendo em conta a procura existente, avançar para outros desinfectantes, como é o caso do gel.

“O plano era iniciar no primeiro trimestre de 2020, mas não tínhamos previsto arrancar com biocidas. O enquadramento actual representou um desafio e reconvertemos de imediato a produção”, conta Rita Palmeira, doutorada em Ciências Farmacêuticas, uma das fundadoras da Health Products Research and Development (HPRD), detentora da Labfit e agora da Pharmapoli.

A prioridade foi, em pouco tempo, o processo legal estar concluído para avançar. Um procedimento “muito rápido”, sinal do “esforço e empenho que todas as estruturas nacionais estão a fazer no sentido de isto ser ultrapassado da maneira mais célere”, acentua Ana Palmeira, a outra sócia da HPRD, também com os conhecimentos de um doutoramento com especialidade em microbiologia.

Empresa alterou os planos, para produzir uma solução hidroalcoólica, e a procura tem sido muita.

 

Crise transformada em oportunidade

A crise resultou na oportunidade inesperada de direcionar a maquinaria base, os profissionais e algum material para a produção da solução de hidroálcool, em virtude da enorme procura por desinfectantes. “O que nos fez avançar foi termos Identificado a necessidade de o mercado ter uma resposta. Quando fizemos esta restruturação do plano da empresa não foi a pensar no ponto de vista económico, de ser um balão de oxigénio para a empresa. Nós temos conhecimento técnico, temos máquinas e temos capacidade de dar uma resposta a esta necessidade”, enfatiza Ana Palmeira, que acrescenta estar a ser praticado “um valor justo”.

A procura tem sido muita. Desde particulares a empresas, farmácias, lares, misericórdias. Têm recebido muitos contactos da região, onde conseguem escoar toda solução desinfectante SABA. Se mais tivessem, mais vendiam. O maior problema é a dificuldade em comprar as quantidades pretendidas de álcool, numa altura em que estão a ser feitos esforços no país, junto das destilarias, para que essa matéria essencial não acabe.

“A partir do momento em que decidimos arrancar, rapidamente tivemos de reunir o material que faltava e fazer um esforço em termos de equipa para que os processos de produção e de garantia da qualidade estivessem prontos, para garantir que o produto final tem a qualidade que exigimos”, acentua Rita Palmeira.

“O nosso plano original será sempre mantido”

No projecto estão directamente envolvidos quatro profissionais, “prata da casa”, funcionários a prestar serviço habitual na Labfit. Contavam estar a começar a fazer para outras marcas batons, cremes ou pomadas. Vêem-se focados no hidroálcool e tentam ultrapassar as dificuldades na aquisição de matéria-prima, para dar resposta à procura.

Se, passada a pandemia, os biocidas vão continuar a fazer do catálogo, é uma incógnita. Vai depender do mercado. “O nosso plano original será sempre mantido. A empresa nasceu com um objetivo e essa natureza vai ser mantida. Se após esta crise já não existir essa necessidade, nós não vamos insistir numa produção que não está na agenda da Pharmapoli”, sublinha Rita Palmeira.

Fábrica a construir de raiz representa um investimento de 765 mil euros e, numa primeira fase, a criação de cinco novos postos de trabalho.

Fábrica começa a ser construída em Setembro

A HPRD iniciou a actividade com a Labfit, instalada no UBIMedical. Uma empresa dedicada aos serviços laboratoriais e de consultoria, com 15 funcionários. A criação da nova marca, a Pharmapoli, a funcionar em instalações provisórias, no edifício do NERCAB, no Parque Industrial do Tortosendo, prevê um novo investimento e a criação de mais postos de trabalho.

No piso térreo do edifício, em tosco, vai ser construída de raiz a fábrica. O início da construção está previsto para Setembro, com o intuito de estar a funcionar em Fevereiro do próximo ano. Na candidatura submetida, estão contemplados mais “quatro a cinco” postos de trabalho “numa primeira fase”.

“Esperamos que o projecto cresça o suficiente para incluir mais pessoas. Pretendemos ter um crescimento sustentado”, vinca Ana Palmeira.

 

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