(Con)tradições de Natal

Há que recuperar a essência e simplicidade dos hábitos
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Diz-se por aí que “o Natal é quando o homem quiser”, que os gestos de bondade de ternura e generosidade, propícios à época, se deviam e poderiam repetir continuamente ao longo do ano e não apenas no frio do Dezembro que vivemos. Mas na verdade, depois desta época, o provérbio é esquecido. E a tal ternura veste-se de arrogância e orgulho próprio, que justificam o isolamento e individualismo que vamos fazendo de nós próprios.

Ouve-se dizer que este é o tempo da família e do bem-estar, do lar harmonioso que convida ao pijama e à lareira acesa, ao chá no sofá e às conversas longas sobre tudo e sobre nada. Mas o tema de hoje está na imagem postada, nos hashtags mais clicados e até na stories com maior número de visualizações. Sim, porque a imagem não faz barulho, mas provoca ruídos estrondosos no silêncio da sala de estar.

As tradições mandam que a noite seja de consoada, na casa do que tem a maior sala, de sabores tradicionais e das novidades da doçaria que tanto tem proliferado nos gostos pela culinária, e depois a “missa do galo”. Todos os momentos fazem parte de um itinerário que preenche a noite feliz. Porém, hoje, o hotel é uma boa solução, porque assim não se tem trabalho, a comida tem de ser bem pensada e “o que se gasta em casa?!”, não compensa. Tudo tem um olhar economicista.

E no meio de tudo o que envolve o Natal há também o balanço do que aconteceu. A gratidão pelo alcançado e também a partilha do que foi menos bom, presentes naquele “pai-nosso” antes de comer, ou numa “avé-maria” pelos que morreram. Isso é coisa do passado… Rezar em volta da mesa deixou de ser prática e não faz parte dos planos dos que nela pretendem comemorar o aniversário de Deus entre os homens.

Também se diz que o Natal comemora o nascimento do Salvador, daquele Jesus capaz de renovar todas as coisas, que vem para mudar as mentalidades e trazer esperança aos mais desanimados e angustiados. Mas os desanimados e angustiados estão cada vez mais a refugiar-se no materialismo e consumismo da época. Criaram em si uma certeza completamente errada: pensam que a alienação da vida se faz pelo comprar mais e mais, pelo ter e trocar, tantas vezes bugigangas.

Não passa tudo isto de uma camuflagem do verdadeiro Natal? Não entrámos nós no mundo de uma fantasia, desejada e aceitável, mas que roubou o essencial do Natal?

Por isso, ouvimos tantas pessoas a desejar que “estes dias não haviam de vir”, a querer que o “Natal passasse depressa”. Estamos, por isso, a entrar numa contradição de nós próprios ao sufocarmo-nos de tantas coisas que não são essenciais e que até nos prejudicam.

Há que recuperar a essência e simplicidade dos hábitos, mostrar quem realmente somos e o que dá sentido à nossa tradição cristã. Talvez se fizermos todos do nosso Natal um sinal da bondade com que Deus visitou a Terra, já estaremos a reerguer a tradição, que tanto reclamamos e simultaneamente tanto desvirtuamos.

Na próxima semana não teremos a oportunidade de lhe fazer chegar a nossa informação. Por isso esta é a oportunidade de lhe desejar um Santo Natal, cheio daquelas tradições que valerão sempre a pena!

 

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