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Uma Nação que nada aprendeu com os incêndios de 2017
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Os dias quentes de Verão chegaram aos termómetros do Interior e o sinal é dado pelas sirenes dos bombeiros que buscam voluntários, dispostos a apagar os primeiros incêndios, que uma vez mais se propagam pelo que resta das florestas do centro.

É o que se vê! Castelo Branco e Mação, quase destruída na sua floresta em 2017, voltam a ser palco de novos incêndios e nova tragédia, onde 31 pessoas saem feridas, segundo os dados da Protecção Civil.

As declarações dos responsáveis e dos que estão à frente dos teatros de operações soam sempre a um “logo se vê”, quando não se consegue justificar o injustificável. O ministro da Administração Interna afirma ser necessário “investigar” e tememos que tudo volte a ser o que já vimos e com o qual nada aprendemos.

Desta vez, o Presidente da República não foi ao local, remeteu-se a visitar o ferido hospitalizado no S. José, ali perto de sua casa. Talvez porque lembrando as suas palavras, esteja a ver no início deste Verão o sonho adiado de uma recandidatura a Belém. Numa entrevista conjunta ao Público e Renascença, publicada em Maio do ano passado, o Presidente afirmava que “voltasse a correr mal o que correu mal no ano passado (2017), nos anos que vão até ao fim do meu mandato, isso seria, só por si, no meu espírito, impeditivo de uma recandidatura.”

Assim vai o itinerário de Portugal, a correr para umas legislativas próximas e cujo Governo, há poucos dias nos deixava a garantia de que está tudo bem. O último debate parlamentar, a apresentação do plano eleitoral do PS, muito preocupado com a saúde e aquele “trauma” do primeiro-ministro que não esquece todo o processo em que se vê envolvido um dos seus antecessores, Sócrates, pai de um socialismo moderno.

Afinal as chamas não aquecem e magoam apenas as pobres gentes do Interior. As chamas estão também na vida política de um País que não se consegue defender das verdadeiras realidades que o magoam e maltratam. Pelo contrário, maquilha-se com pó-de-arroz para dizer à Europa que as lutas perdidas hão- de ser vencidas e que os territórios abandonados serão finalmente semeados de muita esperança.

Entretanto, o SIRESP vai anunciando desgraças, os bombeiros esperam melhores condições de trabalho, a coordenação da Protecção Civil esconde as suas falhas e o mato rasteiro fica por limpar, não apenas no meio da floresta como nas bermas das estradas. Tudo isto é o espelho de 2017, das tragédias, das mortes e dos lutos que continuam a ser feitos, mas que nada ensinaram a uma Nação que nunca assistira a tais cenários.

Como que envolvidos num “western” já só nos falta espalhar nos outdoors da cidade aquela espécie de cartazes em tons sépia: “Buscam-se os culpados”. O único entrave e impedimento para isso é que não há recompensa para quem os encontrar, porque eles se escondem a si mesmos.

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