Antiga mina quer ser mais-valia turística no Barco

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Não é fácil lá chegar se não souber a localização exacta. Um GPS pode dar jeito, mas a falta de rede por aquelas bandas pode sempre dificultar a tarefa. Junto ao Barco, no concelho da Covilhã, a caminho de Lavacolhos e Silvares (Fundão), existe uma antiga mina de exploração de estanho, quartzo e volfrâmio, que há cerca de 50 anos que está inactiva, que é um autêntico museu subterrâneo visitável, mas que poucos conhecem.

Para chegar à Quinta das Minas da Recheira, ainda tem que enfrentar um caminho em terra batida, a que foi dado um jeito com gravilha. Quem gere o complexo, que quer ser turístico, reconhece não ser o melhor acesso. “É uma estrada pública que está num péssimo estado. A autarquia devia olhar para ela de outra forma. Não é digna do que aqui está” lamenta Luís António, porta-voz de um grupo estrangeiro que pretende investir no local.

Ao longo de cinco galerias, é possível conhecer um pouco da história da exploração mineira na região. Neste momento, apenas três são visitáveis, mas uma luz led ao longo de todos os corredores dá a sensação de segurança a quem ali entra. Não está tão escuro quanto isso, há pequenos morcegos que se podem ouvir e ver, e inclusive um Salão Mineiro de 100 metros quadrados em que se pode, por exemplo, almoçar ou jantar. À entrada, devido à pandemia covid-19, todas as regras são aplicadas, com álcool gel e máscaras, mas ninguém entra no subsolo sem levar capacete e colete reflector. Uma “relíquia” que foi inclusive descoberta pela RTP que já ali filmou a série “A espia”. Porém, apesar de já se poderem visitar as galerias mineiras, espera-se o devido licenciamento para transformar a quinta de cinco hectares num verdadeiro alojamento turístico.

“É um complexo turístico isolado, com cinco galerias completamente visitáveis. Tem várias casas dos mineiros, que eram para ser convertidas. O processo está na Câmara para ser turismo de alojamento. Estamos a falar de um empreendimento único, diferenciador, e inovador em Portugal. Um investimento de 3,5 milhões de euros, em três fases, que criará até 20 postos de trabalho. O processo está em curso e esperamos que o executivo da Covilhã possa entender este empreendimento como uma mais-valia para o território, que é desertificado. O que queremos é fixar aqui turistas por mais que um dia. Que possam usufruir da mina, do rio, da tranquilidade e desta maravilhosa vista para a Serra da Estrela” afirma Luís António.

(Reportagem completa na edição papel)

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