A publicidade da loja que persiste

Na primeira edição do Notícias da Covilhã a Casa do Leão anunciava os seus “excepcionaes preços”. O mais antigo estabelecimento comercial da região continua de portas abertas, possivelmente apenas por mais alguns meses
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“Ninguém faça de qualquer artigo aquisição, sem ver os excepcionaes preços da Casa do Leão”. Era desta forma que o estabelecimento se promovia no anúncio publicado na primeira edição do Notícias da Covilhã, há precisamente um século, na edição de 18 de Maio de 1919.

A relação com o NC, anos mais tarde localizado a poucos metros, manter-se-ia até ao encerramento da tipografia, em 2007. Era aí que a Casa do Leão fazia os livros de facturas, autocolantes, prospectos e material de escritório. Ainda hoje antigos funcionários da gráfica passam diariamente pela loja onde actualmente resta apenas João Matos, Joca, como é conhecido, atrás do balcão, para trocarem dois dedos de conversa ou beberem café. Relações que extrapolaram as paredes da oficina.

A Casa do Leão é o estabelecimento comercial mais antigo da região e calcula-se que o segundo do país há mais tempo de portas abertas. São quase 200 anos a servir clientes. O percurso tem valido à loja, ao longo dos anos, distinções de várias organizações e, em 2016, foi homenageada pela Câmara da Covilhã com a Medalha de Prata de Mérito Municipal.

Nesse recuado ano de 1919, em que a loja tinha como número de “telephone” e de telegrama o 178, não havia mãos a medir, tal o movimento, na rua, à frente e atrás do balcão. A loja de ferragens chegou a ocupar vários espaços contíguos, a ter um armazém na Casa dos Magistrados e outro por baixo das actuais instalações do Partido Comunista. 

Além das ferragens, vendia tintas, materiais de construção, utilidades domésticas, armas, munições e chegou a ser uma sucursal bancária do BPA, onde as pessoas iam trocar dinheiro e depositar cheques. Na Covilhã as fábricas de lanifícios floresciam e com elas o negócio, a venda de peças, vário tipo de material para a indústria. 

Negócio quebrou com o encerramento de fábricas e a abertura de hipermercados

O pai de Joca, António Matos, conhecido pelo diminutivo Toninho, foi trabalhar para a Casa do Leão “de calções” e ali permaneceu até falecer, há dois anos, com 89 primaveras cumpridas. Começou por fazer recados, depois foi empregado de balcão, encarregado de contas, gerente e acabou proprietário

(Acompanhe a totalidade da reportagem na edição impressa)

Ana Ribeiro Rodrigues

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