A galeria dos prodígios

Até aqui, António Lopes era um desconhecido
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António Pinto Pires*

Falemos da importância de que se tem revestido a Galeria António Lopes, GAL, e do papel que a mesma tem desempenhado no panorama cultural da Covilhã.

Não foi um processo linear esta meta alcançada em 2015, digamos ainda, uma caminhada que demorou algumas décadas até á sua concretização.

Desde 19 de Outubro de 2015, a Casa dos Magistrados, o edifício assim conhecido, acolhe uma importante e diversificada coleção de obras do Professor António Lopes e que passaram a constituir espólio do Município após doação por parte do seu filho Sebastião Lopes versado em protocolo.

Esta coleção, reveste-se do maior interesse cultural para o Município, para o Concelho e para a Covilhã, sendo composta por pintura, gravuras, desenhos, objetos pessoais, recortes de jornais, cópias de recortes de jornais, documentos, uns originais, outros digitalizações ou cópias fotográficas, ocupando os dois espaços que compõem o piso 0 do edifício.

Estamos assim na 1ª fase de vida da GAL, onde o protagonista principal foi o seu filho Sebastião.

Em Setembro de 2018, numa intenção de reorganização e aproveitamento da referida coleção e espaço, foi constituída uma equipa de trabalho, formada por colaboradores do Departamento de Cultura, designadamente, Arquivo, designers e equipa de montagem de exposições.

Após desmontagem, seleção, inventariação e catalogação do espólio, procedeu-se a reorganização espacial da galeria. O espólio documental e fotográfico passou a integrar o Fundo Professor António Lopes, encontrando-se, à disposição do público, no Arquivo Municipal.

O espólio que permaneceu na Casa dos Magistrados foi disposto de forma coerente e organizada, ocupando apenas uma das salas. A outra sala passou a ser destinada a exposições temporárias, para, principalmente, acolher artistas locais, emergentes e outros que, pretendam dar a conhecer o seu trabalho artístico.

A GAL entrou assim na sua 2ª fase de existência e em dois anos, falamos do período 2018/20, as exposições de artistas locais não têm cessado de acontecer, as quais têm conferido uma dinâmica ao centro histórico da cidade, enquadrando-se e complementando-se sempre que possível, com outras iniciativas que têm decorrido no mesmo centro, que me escuso de enumerar pela sua extensão.

Até aqui, António Lopes era um desconhecido para as gerações atuais e até da cidade. Um homem multifacetado, professor, mas sobretudo um visionário do futuro da cidade e região, idealizou e concebeu valiosos projetos, alguns dos quais ainda desfrutamos no presente, da cidade à serra da Estrela, a sua grande paixão.

A persistência de Jorge Torrão e Regina Gouveia, foram e têm sido fundamentais para a concretização deste projeto, sempre desafiador.

Um reconhecimento muito especial a Regina Alexandre, pelas ousadias, quais sonhos idealizados, têm permitido que este espaço, se transformasse num tecido vivo em permanente ebulição. Já que a cultura é isso mesmo.

Assim, dá gosto falar de Cultura e da Covilhã.

*Professor

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