A Covilhã… por quem cá vive

Os elevadores, funiculares e pontes tornaram, nos últimos anos, a Covilhã numa cidade mais acessível. É esta a opinião, na rua, de muitos covilhanenses
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Nuno Vicente/Jéssica Rodrigues

Uma cidade com um potencial que ainda está por explorar. É esta, em suma, a opinião de alguns covilhanenses quando, no âmbito do 150º aniversário da elevação da Covilhã a cidade, se lhes pergunta o que bom, ou menos bom, tem a localidade que habitam.

O elogio mais comum é a acessibilidade, que se tornou mais fácil nos últimos anos. A forte ligação com os elevadores, tanto o de Santo André como o do Goldra, é elogiada, já que sendo a Covilhã uma cidade muito inclinada, ter uma forma de transporte que funciona “como um atalho” é uma mais-valia para a população, principalmente os mais velhos.

A ponte pedonal dos Penedos também é elogiada por muitos covilhanenses que o NC aborda um pouco por toda a cidade. Na área de restauração do Serra Shopping, o investigador na UBI, João Curto, 26 anos, diz que neste “cantinho do Paraíso” que é a Covilhã existe agora uma ponte é “um símbolo emblemático da cidade.” Joaquim Almeida, 77 anos, reformado, vê a mesma como “um símbolo tão reconhecível como a Torre Eiffel de Paris”.

João Pinto, estudante da UBI, a meio do seu lanche no bar da Faculdade de Artes e Letras, elogia a facilidade de deslocação da Covilhã, que tanto a ponte como os elevadores dão. “Dá para fazer tudo a pé e encontrar com amigos no café” vinca. E elogia a cidade que é “pequena, mas segura e agradável”. A partir daí, acrescenta, a Covilhã deveria focar-se em tornar a parte histórica “mais acessível.” Para ele, tornar o Centro Histórico “numa zona estritamente pedonal” seria uma boa aposta.

Joaquim Almeida, junto a um dos diversos murais da cidade, perto do Pelourinho, lembra o “ar puro da montanha” que a Covilhã tem, mas acredita que cidade beneficiaria muito se tivesse maior facilidade de acesso a algumas áreas da Serra da Estrela. E sugere a construção de “um caminho pedonal, um circuito, começando da pista das Cortes e passando por Aldeia do Carvalho, por essa zona. Tudo seria ao mesmo nível, com uma vista única da Cova da Beira”.

Uma cidade “demasiado” virada para os estudantes

O potencial que a cidade tem, diz a maioria, não é explorado. Existem vários elementos que, se tivessem maior aposta, poderiam revitalizar a cidade. João Pinto mostra-se desiludido por apenas o Festival Urbano de Arte, o WOOL, dar um foco maior à Covilhã, por escassos dias.

Em termos culturais, Rita Pinto, 59 anos, desempregada, que faz por estes dias compras no Serra Shopping, junto de sua mãe, acredita que a Covilhã precisa de “mais actividades para os jovens”, de modo a que estes passem menos tempo “no computador e no telemóvel”.

Mas os jovens, e o lazer, se por um lado dão vida à Cidade Neve, de vez em quando também são foco de problemas. Joaquim Almeida é um dos que pensa que a Covilhã liga maioritariamente aos estudantes, mas muitas vezes são estes que provocam a “falta de silêncio” após as horas de deitar. Joaquim critica as “noites muito barulhentas nos estabelecimentos nocturnos, que não deveriam existir”.

João Curto afirma que o “pior desta cidade é que vive demasiado para o turismo e para os estudantes.” Já as políticas de emprego, “deixam muito a desejar”. O mesmo refere Rita Pinto, que lembra “a falta de oportunidades” para mão-de-obra qualificada. Algo que, espera, mude, já que gostaria que os seus filhos “ficassem por cá”, na cidade que classifica de “lindíssima”. Para Joaquim, uma “bonita, bela e forte” localidade que, segundo João Pinto, apesar de pacata, e por vezes, “preguiçosa”, é “um bom sítio para viver”.

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