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A Páscoa na minha terra

2019-04-17
 


 
Todas as famílias ansiavam pela visita do senhor padre e do beijar da cruz

 

Veio a Páscoa depois de uma Quaresma repleta de tradições que alguns insistem em fazer sobreviver. Uma Páscoa muito diferente da que conheci em criança. Bem diferente daquela de que falavam com saudade, no final de um quente dia de Verão, a Ti Teresa Sabina, a Ti Ana do Filipe, a Ti Zezinha Santarém e outras vizinhas que se sentavam, debaixo de uma parreira, no quintal dos meus avós. À hora que os ralos, grilos e cigarras enchiam de cantos o anoitecer, no desfiar do rosário de memórias surgiam saudades de um tempo onde a dureza do quotidiano não afastava o forte e vibrante sentimento das vivências. Óh, como brilhavam os seus olhos quando lembravam a chegada da Páscoa. Recordavam a azáfama, quase durante uma semana, de joelhos, esfregando os soalhos, a caiar as paredes e a esfronhar os tetos, até que tudo se tornasse num brinquinho para receber a Aleluia. A Semana Santa tinha sido repartida entre limpezas e as obrigações do bom Cristão. Ninguém ficava isento de participar no Ofício de Trevas, na quarta-feira santa, da procissão das Endoenças, na quinta e da Adoração da Cruz e procissão do Enterro do Senhor, na sexta. Durante toda a semana, pela alta noite, o dolente e arrastado canto do encomendar das almas quebrava os aconchegados serões à lareira. No sábado aparecia a Aleluia, era, por isso, noite em que não se dormia.

 

A vigília Pascal iniciava-se tarde e ainda com o pesar da Quaresma. Na igreja, retábulos e janelas mantinham-se tapados com panos negros. Tinha então lugar a bênção do lume novo e da água. Os fiéis ansiavam pelo “Glória in excelsis Deo” E quando finalmente era proferido, tudo se transformava. Como que num relâmpago vertiginoso, os panos das janelas e dos retábulos eram retirados, havia uma explosão de som provocada por campainhas, cornetas e assobios. As duas bandas filarmónicas tocavam ao mesmo tempo que os sinos repicavam festivamente. Na Capela-mor, então totalmente descoberta, era visível a cruz que na sexta-feira presidira à cerimónia da Adoração, mas agora em lugar da centenária imagem de Cristo, ostentava apenas um pano branco, símbolo da ressurreição.

 

Saídos da igreja de madrugada, organizavam-se os grupos que haviam de cantar as alvíssaras de casa em casa, de rua em rua, até que a notícia chegasse a toda a parte. O canto, cuja letra poucos recordam, era alegre e invocava os santos venerados nas várias capelas da freguesia. Já o sol ia alto quando os grupos se desfaziam para que ao meio-dia pudessem participar na missa. Seguia-se à eucaristia dominical, a procissão da Ressurreição promovida pela Confraria do Santíssimo Sacramento.

 

Após o almoço, todas as famílias ansiavam pela visita do senhor padre e do beijar da cruz. Revestido de sobrepeliz, o sacerdote fazia-se acompanhar de acólitos com campainhas, transportando um deles a caldeirinha. Seguiam ainda no grupo, o homem da cruz que envergava uma opa vermelha e outro com o cesto para as galinhas oferecidas ao senhor prior. Atrás vinha um grupo de rapazes esperando que lhes atirassem alguns tostões.

 

Em cada casa esperava-os, em cima de uma mesa com a melhor toalha de renda, um pratinho com algumas moedas, bolos da festa, as amêndoas e copos de vinho fino. O Sr. Padre pegava no hissope e aspergia as cabeças sorridentes, a casa, o folar… - Boas Festas Aleluia, Aleluia! A casa estava benzida, as almas lavadas na Desobriga, a cruz beijada, os garotos rebolavam no chão atrás do meio tostão atirado. No dia seguinte estavam ainda felizes por andar à arrabainha.

 

 
Carlos Madaleno
 
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