Sobrinho de Alçada Batista acusa Câmara de manipular opinião pública
Clara manipulação da opinião pública. É esta, em suma, a acusação que Luís Alçada Batista, filho do conhecido escritor covilhanense, faz à Câmara da Covilhã numa carta enviada ao NC esta semana (ver página 21), de resposta ao artigo publicado na passada semana em que responsáveis da Águas da Covilhã diziam ser urgente a construção de uma nova barragem sob pena da cidade ter que racionalizar o consumo.
Recorde-se que a construção de uma nova barragem está parada. Na origem do impasse estará o pedido de classificação de um terreno da família Alçada Batista no local onde está prevista a barragem, solicitado pelo filho do arquitecto das casas, construídas nos anos 60, e sobrinho do escritor António Alçada Batista, Luís Alçada Batista. O requerimento é sustentado na existência de um sistema de levadas do século XIX e de duas habitações “modernistas” que "foram palco da vivência incontornável da cultura contemporânea portuguesa que envolveu a família Alçada Baptista". José Calmeiro dizia na passada semana que se tratava apenas de uma casa, de férias. Outras construções, mais antigas, já ficam fora da área da barragem, informava. “Não vemos que interesse público possa haver para classificar um imóvel como aqueles, mas enquanto não se disser que não há nada para classificar, o processo não avança”, lamentava o administrador da Águas da Covilhã, que se vê numa “encruzilhada”. “Estão a pressionar o secretário de Estado para impedir a aprovação do projecto”, acusava Leopoldo Santos, também da ADC, desagradado com o arrastar do processo e com a falta de respostas.
Agora, em carta enviada ao NC, Luís Alçada Batista conta a sua versão de como se desenrolou todo o processo, acusa a Câmara de ter encomendado uma barragem na Serra “à la carte” e avisa os covilhanenses de que, “independentemente do que chova durante o ano”, no Verão “poderá não haver água. “A opinião pública está a ser manipulada” acusa, aconselhando as pessoas a estarem atentas “à gestão das comportas da barragem do Viriato”. Diz que na Câmara “populismo e despotismo andam de mãos dadas” e recorda as várias doações que a sua família fez à cidade. Alçada Batista diz que existem alternativas à construção de uma nova barragem, que passam pelo alteamento da barragem do Viriato e enchimento da barragem do Covão do Ferro, mas se se entender “de forma diversa, expropriem-nos, façam a nova barragem, no local certo”. Que é, a seu ver, o lugar do Meio Quartilho e não o Covão Lobo, um lugar “único, pela história, pela etnografia, pela arquitectura, pela paisagem, pela capacidade de solo arável e pela flora”. Entre várias acusações, o arquitecto paisagista diz que se a Câmara tivesse como interesse “garantir com urgência o fornecimento de água para consumo humano a toda a população concelhia”, então “não teria saído da Águas do Zêzere e Côa” e a barragem “estaria feita há uma década, no local certo”. Diz ainda que “há três anos que procuro uma solução sensata em conjunto com a Câmara” mas que aqui “não me recebem e não me querem ouvir. O orgulho e a prepotência falam acima do interesse público.”
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