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As feridas invisíveis da guerra

2017-02-15
 


 

Centro de Apoio Médico, Psicológico e Social da Liga dos Combatentes acompanha dezenas de casos na Covilhã e centenas na Beira Interior


 

Depois do assalto a um acampamento, um bebé chorava, com fome. Um soldado pegou nele e encostou-o ao peito da mãe, morta pelos portugueses, para a criança mamar. Entretanto foi entregue numa outra povoação. Em outra ocasião a patrulha onde José seguia foi atacada e morreram dois companheiros. Nas horas que se seguiram, até os corpos serem retirados, coube ao atirador covilhanense ficar a afastar as formigas e os insectos dos cadáveres.

 

Quando chegou a Moçambique, fazia-lhe impressão ver “dar uma lambada num turra”. Passado algum tempo a ver camaradas tombarem, “é o salve-se quem puder”. Tornou-se uma espécie de autómato durante os 27 meses de comissão, 19 deles sempre na linha da frente. Não se questiona. Obedece-se. Sobrevive-se. Tenta-se aguentar até ao momento do regresso. Anseia-se voltar à família pelo próprio pé e não num caixote de pinho, como aconteceu com cinco elementos da sua companhia.

 

O covilhanense diz ter visto muita coisa que não queria. “Foram 27 meses para esquecer, mas não se esquecem”, frisa. Da guerra, de uma forma ou outra, nunca se volta. Depois do que se vivencia, há pedaços do ser que o passado não deixa resgatar. “Lá fazem-se coisas de que ninguém se orgulha”, vinca.

 

José era outra pessoa quando partiu “para o desconhecido”, aos 21 anos, com uma G3 ao ombro. Quando voltou, não era o mesmo. Que o digam os mais próximos. São imagens como essa, do bebé agarrado à mama de uma mãe já morta, que o assaltam sem pedir licença e o deixam numa permanente inquietação. São realidades vividas, nem sempre contadas, que passados mais de 50 anos continuam vívidas, em vez de se esbaterem. E que tornam as suas noites tumultuosas. A guerra interrompe-lhe o sono. Acorda-o com pesadelos. No sótão emocional há fantasmas que teimam em irromper e perturbar uma vida que se quer normal. Não há noites plácidas. Elas são povoadas por uma tempestade de pensamentos.

 

(Reportagem completa na edição papel)

 
Ana Ribeiro Rodrigues
 
Tags: Stress pós-traumático, guerra colonial, Liga dos Combatentes, Covilhã
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