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Oferta turística reconhecida em termos nacionais

2010-02-03
 


 
Entrevista a Amândio Melo, presidente da Câmara de Belmonte

Que significado tem, para Belmonte, esta visita do Presidente da República?


É mais uma página importante na história riquíssima deste concelho. Mas esta é uma visita que está claramente relacionada com o que tem sido a nossa estratégia de recuperação do património, neste caso, em termos turísticos.

 

 

Defendemos a sua recuperação, preservamos a nossa história e pusemos ao serviço da população uma rede de museus que já é reconhecida ao nível mais alto da nação. Em especial, agora, com o Museu dos Descobrimentos. É esta estrutura que motiva a visita de Cavaco Silva, também por ser a estrutura mais mediática das que temos. Terá oportunidade de ver a nossa rede e também lhe dar mediatismo. Belmonte tem uma oferta turística de qualidade, no Interior, o que já é reconhecido em termos nacionais, pois até já fomos convidados para falar sobre isso no Parlamento e inclusive além fronteiras, na Universidade de Salamanca. Isso é muito gratificante.

 

 

A distinção tida na BTL em Lisboa também deu alguma visibilidade ao novo Museu dos Descobrimentos…


Sim, foi mais um reconhecimento e testemunho importante que vem validar toda a nossa estratégia. Esses prémios são atribuídos anualmente, para premiar os melhores investimentos do País, daí que tenhamos algum mérito, até porque o projecto era, em temos financeiros, dos mais modestos. Pensamos por isso que o município tem uma oportunidade de crescimento, também a nível económico, associado ao tema do turismo e dos museus.

 

 

Há já alguns sinais disso, nomeadamente na restauração…


Penso que sim. Houve um crescimento associado ao turismo. Temos melhor oferta. É importante que os empresários saibam aproveitar esta dinâmica que temos desenvolvido. Mas há aqui uma coisa curiosa que é fundamental referir e que as pessoas esquecem: é que todo este trabalho de que começamos a recolher frutos, no turismo, tem por base património degradado que, infelizmente ou felizmente, nós tínhamos e recuperámos. Valorizámos assim a nossa Zona Histórica, que agora está recheada de museus, com uma oferta bem grande.

 

 

Com os brasileiros, agora, a virem cá mais, não é?


É. É algo de natural, até porque há muitos que se procuram como é que só agora Portugal tem um museu que se dedique a um tema que teve tanta importância para a nossa história como os Descobrimentos. Já tivemos cá alguns jornalistas brasileiros, inclusive da TV Globo, que visitaram a vila e fizeram reportagens que passaram naquele país, o que terá também contribuído para a vinda de mais turistas daquele país. Até agora, Belmonte, apesar de ser a terra de Pedro Álvares Cabral, se calhar passava um pouco despercebido. Mas com esta nova infra-estrutura, que é única em Portugal, acho que a situação irá mudar. Porém, acredito que também mais portugueses virão cá. Estamos no bom caminho.

 

 

 

A mistura de culturas que por cá há, como por exemplo a Comunidade Judaica, é também um trunfo para Belmonte, nesta temática cultural? 


É um facto que Belmonte reúne potencialidades que, se calhar, outros não têm. Mas se calhar, o que nós estamos a fazer, já devia ter sido feito há muitos anos. Houve diferentes perspectivas e entendimentos, mas a verdade é que tudo isto são temas que estão directamente relacionados com a história do próprio País. Temos a questão dos descobrimentos, temas que têm a ver com a economia, com a religião, pois para além do judaísmo há ainda o tema dos Caminhos de Santiago que hoje, em Espanha, é objecto de estudo e análise. Temos também o património arqueológico, como a Fórnea e Centum Cellas, que são de grande importância. Se calhar faltará agora criar uma rota por todas estas ofertas. Mas tudo isto nós dá a garantia que Belmonte tem potencial para ainda fazer mais, ter mais e desenvolver-se.

 

 

O que faltará agora?


Já temos uma rede consolidada. Faltam ainda as salas do Castelo, o Centro Interpretativo de Centum Cellas, mas faltará criar agora um roteiro municipal, e não só, que mostre os equipamentos e realidades turísticas que temos para que os operadores turísticos o possam integrar nas suas ofertas nacionais. Para que possamos trazer aqui mais gente através de profissionais qualificados. Com as consequências positivas que decorrerão disso.

 

 

Nesta visita do Presidente da República, irá alertá-lo para algo que gostasse de ver concretizado?


Há muitas realidades para as quais podemos alertar. É uma personalidade que pode influenciar, de certo modo, as decisões que se tomam. Mas nós, município de Belmonte, só por nós, não podemos caminhar. Temos que olhar para o Interior como um todo e analisar as coisas com muita atenção. No que toca ao tecido empresarial, no nosso caso, na área das confecções, é preciso um olhar atento e algumas medidas para que continuem a ser sustentáveis. Mas também temos que passar a mensagem de que precisamos, no Interior, de fixar população. É o tema mais importante, a meu ver.

 

 

Mas Belmonte até tem crescido…


É verdade, mas nós somos pequenos, não somos uma ilha. E se a região perde gente, isso também nos cai de cima. Queremos que seja a região, como um todo, a crescer. A grande mensagem que lhe quero deixar é que existe no Interior uma oferta de qualidade, da qual somos prova disso, mas que esta região, que deve ser entendida como de futuro, tem que ter pessoas. A questão demográfica será, sem dúvida, o principal alerta que deixarei.

 

 

 
João Alves
 
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