“Cada um por si é pedalar contra aquilo que já fizemos. E só favorece os municípios fortes”. É esta a posição do presidente do Conselho de Administração da Águas do Zêzere e Côa (AZC), Pedro Rodrigues, quanto à posição assumida na passada semana por alguns autarcas deste sistema multimunicipal que eram da opinião de que, se o preço das tarifas de água aumentarem, o melhor seria pedir o pedido de insolvência da empresa. Uma posição assumida, por exemplo, pelo autarcas do Fundão e Almeida.
Na passada semana, a Assembleia Geral da empresa reuniu-se mas foi inconclusiva quanto a esta questão. Ficou assente que a AZC irá apresentar ao Governo uma proposta de reequilíbrio financeiro, assente em quatro medidas que passam pelo aumento da concessão por mais 20 anos, a apresentação de projectos ao QREN e um aumento do capital da empresa, entre outras. Na reunião realizada na Guarda o tema da insolvência também foi abordado, mas não foi unânime que esse seja o melhor caminho.
O presidente da Câmara da Guarda, Joaquim Valente, mostrou esperança num diálogo que possa levar “a uma solução consensual”. Já Manuel Frexes, autarca fundanense, reafirmou a sue posição de que se o preço da água aumentar, e se o reequilíbrio financeiro da empresa não for conseguido, pede mesmo “a insolvência”. “A dívida é enormíssima” critica. Estima-se que esteja nos 200 milhões de euros.
Já na passada quarta-feira, 20, na sessão de Câmara de Belmonte, Amândio Melo revelou ao executivo que o aumento “violento” das tarifas que se prevê é de 54 por cento na água e 60 por cento no saneamento, valores “incomportáveis”, tendo revelado que ele foi um dos quatro autarcas da região que no dia 12 de Janeiro esteve reunido com a ministra do Ambiente de modo a sensibilizar a governante para o rombo que este medida teria para os municípios. “Pedimos solidariedade nacional para esta região do Interior” afirma, dizendo que Dulce Pássaro se terá mostrado "receptiva a avaliar a situação”. Assim, a questão dos aumentos é “um problema que se mantém após a Assembleia”. O autarca belmontense diz compreender as motivações que levam alguns autarcas a pedir o fim da AZC, mas não é favorável à medida. “Penso que não faz sentido seguir por esse caminho, uma vez que caso se avance para a dissolução, alguns municípios terão muitas dificuldades em prestar os serviços de abastecimento de água e recolha e tratamento de resíduos.” Por isso, os objectivos que presidiram à criação do sistema multimunicipal “continuam a justificar-se”. O presidente da Câmara de Belmonte mostra-se favorável a uma tarifa única a nível nacional.
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