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A competência não tem idade

2018-12-06
 


 

Rute Duarte, futsalista, militar da GNR, mãe. A internacional portuguesa regressou à selecção nacional, vinte anos depois da primeira experiência

 

 

Foge dos holofotes à velocidade a que finta as adversárias e dispara, certeira, à baliza, mas o talento, desde criança, para fazer magia com os pés, impede Rute Duarte, 34 anos, de passar despercebida.

 

Era assim nas peladas na rua, onde sobravam rapazes e apenas tinha a irmã como parceira feminina. Deu ainda mais nas vistas quando começou a jogar futsal federado, com as cores da Boidobra e, apenas com 14 anos, foi chamada à selecção nacional A, para observação. Foi 14 vezes campeã distrital, disputou quatro vezes a final da Taça Nacional. Quando o núcleo duro com quem partilhava as quadras se desmembrou, fez uma pausa. Foi mãe. Voltou e a convocatória para a equipa das “quinas” só surpreendeu quem não tem acompanhado as exibições no Valverde. Regressa vinte anos depois da primeira vez. Dezasseis anos depois de representar pela última vez a equipa nacional.

 

A covilhanense é a única futsalista internacional do distrito, embora outras tenham sido observadas em estágios. É a principal referência da modalidade por cá no futsal feminino, mas é muito mais do que isso. É também militar da GNR, mãe de Francisco, de cinco anos, o adepto mais fervoroso do Valverde. É a mulher que em nome de uma paixão sai de casa de manhã, vai cuidar do filho após o trabalho e sai novamente, para só regressar perto das duas da madrugada nos dias de treino. Os fins-de-semana são divididos entre os jogos e as tarefas domésticas.

 

Não é fácil, admite. Mas conta com o apoio e o incentivo da família. O marido, um amante do desporto, articula com Rute as necessidades do filho. Os dois estão sempre nas bancadas e Francisco é presença assídua no balneário. “Um dia, quando marquei um golo, entrou-me pelo campo dentro”, conta ao NC a ala/pivot, de sorriso aberto a lembrar o episódio.

 

Chegar de madrugada após os treinos


É dentro da quadra que prefere expressar-se, mas quando fala, é com a propriedade de quem conhece o que a rodeia, de quem se conhece e sabe gerir o quotidiano e o esforço para dar o melhor de si. É com a confiança de quem sempre chutou para canto o estereótipo de que a bola é coisa para rapazes e muito contribuiu para desconstruir essa ideia.

 

Esta semana encontra-se na Nazaré, no estágio de preparação para o Campeonato da Europa, que se disputa em Fevereiro em Portugal. Sexta e domingo estão agendados dois jogos de preparação com a Rússia, curiosamente a equipa a quem a covilhanense, cinco vezes internacional, marcou o único golo na armada lusa.

 

Voltar à selecção não era uma meta sua, mas tem noção das suas capacidades. “Há muitos anos era um sonho, agora não era, mas nós também jogamos e vemos as nossas prestações e o meio envolvente. Claro que não posso ser hipócrita e dizer que não tenho qualidade para estar lá, só que existia a questão da idade e achei que pudesse não ser intenção do seleccionador levar um atleta com 34 anos”, sublinha.

 

Representou a Boidobra, Fundão, Estação. Esteve parada quase cinco temporadas e o regresso às quadras deveu-se à persistência de Catarina Rondão, adversária de Rute durante anos, depois companheira de equipa, que passou a presidir e a treinar o Valverde, com o desígnio de levar pela primeira vez uma equipa do distrito ao Campeonato Nacional. Em conluio com o marido, foi convencida de que seria possível conciliar a profissão, a família e o futsal. “Em troca, combinaram que ela tem de fazer corridas com o Tiago”, confidencia.

 

A treinadora do Valverde só estranha Rute não ter sido chamada antes à turma das “quinas”, uma circunstância que atribui à menor taxa de observação de quem não está no Campeonato Nacional, o que só aconteceu este ano, pela primeira vez. Apesar de tardia, a notícia foi vista pela equipa como uma vitória de todas. “A Rute tem uma vontade de superação maior do que todas as outras, um espírito de sacrifício incrível, uma resistência às dificuldades muito grande. Ela não faz nada por fazer, faz com empenho, qualidade e o objectivo de ser a melhor em todas as ações em que está envolvida”, caracteriza Catarina Rondão. “A idade não revela a competência das pessoas. É um estigma, não é aquilo que eu observo. Se as pessoas são competentes e correspondem, porque é que não hão-de ter oportunidade? A maturidade dela é uma mais-valia”, acrescenta a técnica.

 

Nem convite do Benfica a fez partir


Da primeira vez era a mais nova de um grupo onde pontificavam Rita Martins, Catarina Câncels ou Sílvia Valoroso. Agora é a mais velha e volta a encontrar jogadoras com muita qualidade, a jogar juntas há muito tempo, com automatismos, mas se foi convocada, afirma ter “uma palavra a dizer”. Quer esperar para perceber se vai ser vista “como uma intrusa ou como uma inspiração”, por estar entre elas uma mãe, com 34 anos. Tenciona também ver a nova realidade e aprender, até porque agora se trabalha de forma diferente e “a selecção feminina tem umas condições que nunca teve”.

 

Rute Duarte deu os primeiros passos no Desporto Escolar. Ainda hoje José Luís Mendes, o treinador na altura e durante muitos anos na Boidobra, que agora reencontrou na selecção, a lembra do dia em que num jogo marcou 18 dos 19 golos. No Estrela do Zêzere aprendeu a ser melhor jogadora e absorveu valores. A “família” desmembrou-se, depois de tantos anos no auge do futsal nacional. Mas nunca quis sair daqui. Nem quando o Benfica a convidou, nem quando, já militar da GNR, esteve colocada em Alhandra e vinha treinar ao Fundão uma vez por semana e jogar ao fim-de-semana. “Isso era muito fácil, era abandonar quem já tinha dificuldades, o nosso Interior”, explica.

 

Considera ter tido a sorte de trabalhar com expoentes da modalidade, que a fizeram evoluir e que atingiram altos voos: José Luís Mendes, Joel Rocha, Bruno Travassos, João Nuno Ribeiro e agora Catarina Rondão. “Temos tido sempre aqui pessoas muito competentes nesta modalidade. Trabalhamos com uma qualidade que muita gente não tem tido nos grandes centros”, acentua.

 

Atribui ao retorno à selecção a importância de pela primeira vez haver uma equipa no Campeonato Nacional, competição que tanto reclamaram quando estavam no auge. “Ter uma equipa no nacional é uma referência para jovens atletas e ter uma atleta na selecção nacional pode fazer outras acreditar que é possível e que podem sonhar com isso”, considera.

 

É considerada a melhor jogadora do distrito. “Quem me dera não ser e ver aí 15 miúdas melhores do que eu”, frisa. É Rute a ser Rute. Esquiva quando se trata de falar das suas conquistas, uma artista dentro da quadra.

 

 

 

 
Ana Ribeiro Rodrigues
 
Tags: Futsal, futsal feminino, Rute Duarte, Valverde, Boidobra, José Luís Mendes, womans futsal euro.
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