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Espaços contra a corrente no Centro Histórico

2016-06-29
 


 

São conceitos diferentes, têm uma imagem cuidada e destacam-se nas ruas onde a maioria dos estabelecimentos comerciais fechou. São lojas e ateliers dinamizados por jovens criadores empenhados em contrariar a desertificação desta zona da cidade e em criar novas dinâmicas

 

 

O Centro Histórico da Covilhã há vários anos que foi perdendo movimento. A população deslocou-se, a que ficou envelheceu, as lojas foram fechando até restarem poucas portas abertas. Mas no último ano abriram espaços que andam em sentido contrário. Ideias diferentes, conceitos novos ou pouco vistos por estas bandas, apostas diferenciadas dinamizadas por quem vê as ruas vazias de gente, vazias de vida, mas com uma alma que querem resgatar.

 

O edifício da Câmara Municipal, dizem, é uma barreira física que importa levar as pessoas a transpor. Lá atrás, o bulício de outrora nas ruas estreitas e reticulares deu lugar a uma pacatez desconcertante, que incomoda quem lá faz vida. Foi nestas artérias que ao longo do último ano nasceram espaços que ressuscitaram antigas lojas. Carregados de um passado em simbiose com traços de modernidade, com o futuro que têm em construção.

 

Destacam-se pelo cuidado com a imagem, pela decoração com um cunho muito próprio, por terem ao leme rostos jovens, a contrastar com a provecta idade dos poucos vizinhos nas imediações.

 

Mas aqui não há fronteiras. Pelo contrário. A intenção é criar pontes entre gerações. Promover iniciativas que envolvam a comunidade e ajudem a quebrar a rotina e o isolamento. 

 

Na semana passada a Festa de São João, no largo da Rua Jornal Notícias da Covilhã, a recriar uma tradição antiga em Santa Maria, foi um desses exemplos de trabalho em parceria, de ligação a quem reside na zona e de tentativa de criar dinâmicas que abalem a monotonia dos dias, quebrada por vezes quando grupos de turistas, estudantes ou outros andam à descoberta das peças de arte urbana.

 

“Só fazia sentido” no centro


A ValiCe abriu há um ano na Rua de Olivença. Já tinha estado na Ruy Faleiro, mas o espaço para os workshops de pintura tornou-se pequeno. Vera Costa, engenheira civil, também pinta e sempre gostou deste tipo de lojas. Achou que o conceito, que alia a venda de peças de decoração vintage, rústica e também moderna, ao atelier, “só fazia sentido” no centro da cidade. “Estava habituada a ver todas estas lojas abertas. Faz-me confusão vê-las agora fechadas”. Decidiu contrariar a tendência e “tentar ajudar a dar vida a esta zona”, que lamenta não merecer um tratamento igual a outras áreas da cidade.

 

Com o marido, meteu mãos à obra e transformou a antiga loja de artigos para bebé e depois de fotografia num local luminoso, em tons claro, com peças surpreendentes em cada canto. A loja, com uma montra generosa e atractiva, é conciliável com as outras ocupações. Com frequência, também ali ensina pintura a óleo e outras técnicas.

 

“Acreditamos que esta zona tem imenso potencial”


Pedro Seixo Rodrigues, arquitecto, sempre teve uma “relação afectiva” com o Centro Histórico, onde ao longo dos anos promoveu iniciativas. Do Covilhã Downtown ao Wool. O trabalho no Gabinete Técnico Local reforçou a aproximação às pessoas. Trabalhava, tal como a esposa, em casa e, quando decidiu ter um espaço próprio, a antiga mercearia na Rua Alexandre Herculano, num edifício da família, foi a escolha natural. Decidiu então recriar e preservar a Tentadora, inaugurada há 80 anos, uma tarefa árdua.

 

“Acreditamos que esta zona tem imenso potencial, apesar de nos últimos anos não se olhar para esse potencial”, acentua o arquitecto, que em Dezembro abriu o espaço de trabalho partilhado que é também uma biblioteca e uma loja de produtos nacionais, produtos da região e artesanato. “Valorizamos o que é nosso”, realça. Ali trabalham actualmente, de porta aberta, quatro pessoas. Pedro e Lia Antunes, em arquitectura, Elisabet Carceller, na área da museologia, fotografia e organização de eventos culturais, e David Duarte, designer gráfico.

 

Mas n`A Tentadora também se projectam filmes, fazem-se tertúlias, feiras do livro e é um local aberto a quem queira expôr ou dar concertos. “Contrariamos a lógica e queremos ser uma alternativa ao que existe”, vinca Pedro Seixo Rodrigues, para quem “a zona devia ser mais acarinhada” e vê com as características para ser um pólo de espaços criativos, que atraia mais gente com vontade de fazer diferente e valorizar os espaços.

 

A loja, que é também atelier, é vista como uma “sala de visitas”, onde os vizinhos entram para cumprimentar. Um espaço que faz parar quem passa na rua. O arquitecto frisa que quanto mais ideias destas existirem, mais gente vão trazer para o Centro Histórico e está convicto de que uns investimentos vão arrastar outros, numa óptima de complementaridade com que já trabalham com os outros estabelecimentos existentes.

 

“Contribuir para dinamizar esta parte da cidade”


Poucos metros acima está o recente Cinco Atelier, na porta com o mesmo número. Ana Gonçalo, formada em Design Têxtil e Design Multimédia, partilhava uma cave com a arquitecta Joana Sena, a trabalhar em design de interiores. Quando viram o chão em mosaico hidráulico da antiga mercearia, fechada há mais de uma década e meia, apaixonaram-se. Era ali que teriam o seu espaço de trabalho, remodelado com base nos seus saberes, à sua imagem, e onde também são vendidas as peças de artesanato que Ana cria.

 

Aqui surpreendeu-as o “convívio diário com as pessoas”, um “contacto enriquecedor” com uma população envelhecida, que se surpreende ao verem recuperar técnicas e modos de fazer antigos, como o burel, a fiação ou a feltragem manual, uma das vertentes do trabalho de Ana Gonçalo.

 

Vir para esta zona, reconhece, foi “ir contra a corrente”. “Queremos contribuir para dinamizar esta parte da cidade, que está um pouco esquecida”, diz Ana, para logo de seguida explicar que o altar exposto na loja foi oferta de cortesia de uma vizinha de 92 anos. Na Covilhã, admitem, destacam-se por não ser habitual haver espaços do género. “Isto é muito a nossa cara”, acrescenta Joana Sena, ao falar do artesanato e da decoração feita à base de recuperação de materiais, uma prova de que mudar a decoração não tem de ser sinónimo de gastar muito dinheiro.

 

“A Câmara Municipal é como se fosse uma barreira física e visual, como se fosse um muro. Nós queremos atrair pessoas até este lado, queremos dinamizar esta área”, reforça Joana Sena. A ocupar um lugar de memórias para quem ali mora, a intenção é envolver as vizinhas em actividades. Por exemplo convidando-as para, uma vez por semana, se juntarem ali a fazer renda ou crochet, conversarem e tirá-las de casa. Ou a fazer iniciativas na rua.

 

Faltam incentivos para quem investe no Centro Histórico


 

As duas criadoras estão satisfeitas com a opção, mas censuram a falta de incentivos para quem queira dar vida ao Centro Histórico. Sugerem uma diminuição nas taxas municipais. Pedro Seixo Rodrigues não é apologista de apoios directos, como aconteceu há alguns anos com a ajuda às rendas. “Teve um efeito pernicioso. Os senhorios aumentaram as rendas”.

 

O arquitecto preconiza uma diminuição em taxas como a publicidade exterior, ou no aluguer de contadores. Vera Costa concorda que devia existir uma estratégia municipal nesse sentido e defende a oferta de minutos de estacionamento. “É uma tristeza lá em baixo haver tanto estacionamento gratuito e aqui não haver onde deixar o carro. Como se faz em outros sítios, a primeira hora, por exemplo, podia ser oferecida”, advoga, com a convicção de que as cidades têm de se afirmar e mostrar o seu pulsar a partir do centro e não tendo essas zonas a definhar.

 

Na semana passada a Festa de São João, no largo da Rua Jornal Notícias da Covilhã, a recriar uma tradição antiga em Santa Maria, foi um desses exemplos de trabalho em parceria, de ligação a quem reside na zona e de tentativa de criar dinâmicas que abalem a monotonia dos dias, quebrada por vezes quando grupos de turistas, estudantes ou outros andam à descoberta das peças de arte urbana.

 

“Só fazia sentido” no centro


A ValiCe abriu há um ano na Rua de Olivença. Já tinha estado na Ruy Faleiro, mas o espaço para os workshops de pintura tornou-se pequeno. Vera Costa, engenheira civil, também pinta e sempre gostou deste tipo de lojas. Achou que o conceito, que alia a venda de peças de decoração vintage, rústica e também moderna, ao atelier, “só fazia sentido” no centro da cidade. “Estava habituada a ver todas estas lojas abertas. Faz-me confusão vê-las agora fechadas”. Decidiu contrariar a tendência e “tentar ajudar a dar vida a esta zona”, que lamenta não merecer um tratamento igual a outras áreas da cidade.

 

Com o marido, meteu mãos à obra e transformou a antiga loja de artigos para bebé e depois de fotografia num local luminoso, em tons claro, com peças surpreendentes em cada canto. A loja, com uma montra generosa e atractiva, é conciliável com as outras ocupações. Com frequência, também ali ensina pintura a óleo e outras técnicas.

 

“Acreditamos que esta zona tem imenso potencial”


Pedro Seixo Rodrigues, arquitecto, sempre teve uma “relação afectiva” com o Centro Histórico, onde ao longo dos anos promoveu iniciativas. Do Covilhã Downtown ao Wool. O trabalho no Gabinete Técnico Local reforçou a aproximação às pessoas. Trabalhava, tal como a esposa, em casa e, quando decidiu ter um espaço próprio, a antiga mercearia na Rua Alexandre Herculano, num edifício da família, foi a escolha natural. Decidiu então recriar e preservar a Tentadora, inaugurada há 80 anos, uma tarefa árdua.

 

“Acreditamos que esta zona tem imenso potencial, apesar de nos últimos anos não se olhar para esse potencial”, acentua o arquitecto, que em Dezembro abriu o espaço de trabalho partilhado que é também uma biblioteca e uma loja de produtos nacionais, produtos da região e artesanato. “Valorizamos o que é nosso”, realça. Ali trabalham actualmente, de porta aberta, quatro pessoas. Pedro e Lia Antunes, em arquitectura, Elisabet Carceller, na área da museologia, fotografia e organização de eventos culturais, e David Duarte, designer gráfico.

 

Mas n`A Tentadora também se projectam filmes, fazem-se tertúlias, feiras do livro e é um local aberto a quem queira expôr ou dar concertos. “Contrariamos a lógica e queremos ser uma alternativa ao que existe”, vinca Pedro Seixo Rodrigues, para quem “a zona devia ser mais acarinhada” e vê com as características para ser um pólo de espaços criativos, que atraia mais gente com vontade de fazer diferente e valorizar os espaços.

 

A loja, que é também atelier, é vista como uma “sala de visitas”, onde os vizinhos entram para cumprimentar. Um espaço que faz parar quem passa na rua. O arquitecto frisa que quanto mais ideias destas existirem, mais gente vão trazer para o Centro Histórico e está convicto de que uns investimentos vão arrastar outros, numa óptima de complementaridade com que já trabalham com os outros estabelecimentos existentes.

 

“Contribuir para dinamizar esta parte da cidade”


Poucos metros acima está o recente Cinco Atelier, na porta com o mesmo número. Ana Gonçalo, formada em Design Têxtil e Design Multimédia, partilhava uma cave com a arquitecta Joana Sena, a trabalhar em design de interiores. Quando viram o chão em mosaico hidráulico da antiga mercearia, fechada há mais de uma década e meia, apaixonaram-se. Era ali que teriam o seu espaço de trabalho, remodelado com base nos seus saberes, à sua imagem, e onde também são vendidas as peças de artesanato que Ana cria.

 

Aqui surpreendeu-as o “convívio diário com as pessoas”, um “contacto enriquecedor” com uma população envelhecida, que se surpreende ao verem recuperar técnicas e modos de fazer antigos, como o burel, a fiação ou a feltragem manual, uma das vertentes do trabalho de Ana Gonçalo.

 

Vir para esta zona, reconhece, foi “ir contra a corrente”. “Queremos contribuir para dinamizar esta parte da cidade, que está um pouco esquecida”, diz Ana, para logo de seguida explicar que o altar exposto na loja foi oferta de cortesia de uma vizinha de 92 anos. Na Covilhã, admitem, destacam-se por não ser habitual haver espaços do género. “Isto é muito a nossa cara”, acrescenta Joana Sena, ao falar do artesanato e da decoração feita à base de recuperação de materiais, uma prova de que mudar a decoração não tem de ser sinónimo de gastar muito dinheiro.

 

“A Câmara Municipal é como se fosse uma barreira física e visual, como se fosse um muro. Nós queremos atrair pessoas até este lado, queremos dinamizar esta área”, reforça Joana Sena. A ocupar um lugar de memórias para quem ali mora, a intenção é envolver as vizinhas em actividades. Por exemplo convidando-as para, uma vez por semana, se juntarem ali a fazer renda ou crochet, conversarem e tirá-las de casa. Ou a fazer iniciativas na rua.

 

Faltam incentivos para quem investe no Centro Histórico

 

As duas criadoras estão satisfeitas com a opção, mas censuram a falta de incentivos para quem queira dar vida ao Centro Histórico. Sugerem uma diminuição nas taxas municipais. Pedro Seixo Rodrigues não é apologista de apoios directos, como aconteceu há alguns anos com a ajuda às rendas. “Teve um efeito pernicioso. Os senhorios aumentaram as rendas”.

 

O arquitecto preconiza uma diminuição em taxas como a publicidade exterior, ou no aluguer de contadores. Vera Costa concorda que devia existir uma estratégia municipal nesse sentido e defende a oferta de minutos de estacionamento. “É uma tristeza lá em baixo haver tanto estacionamento gratuito e aqui não haver onde deixar o carro. Como se faz em outros sítios, a primeira hora, por exemplo, podia ser oferecida”, advoga, com a convicção de que as cidades têm de se afirmar e mostrar o seu pulsar a partir do centro e não tendo essas zonas a definhar.

 

 

 

 

 
Ana Ribeiro Rodrigues
 
Tags: Centro Histórico da Covilhã, A Tentadora, ValiCe, Cinco Atelier, desertificação, Covilhã
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