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Chamas ameaçaram Maçainhas

2010-07-28
 


 

Algumas casas foram cercadas pelo fogo que lavrou na noite de segunda para terça-feira

 

Pelo segundo ano consecutivo, José Gonçalves teve o fogo perto de casa, entre o Sabugal e Belmonte, mas desta vez em pânico: foi obrigado a evacuar a habitação e a lutar para que as chamas não queimassem mais que a horta.

 

“Não percebo: por mais incêndios que haja andamos sempre com o coração nas mãos”, desabafou à Agência Lusa, em Maçainhas, Belmonte, à porta da casa cercada de terrenos ainda fumegar.

 

Um incêndio florestal destruiu mato e pinhal desde as 22h de segunda-feira com as chamas a nascerem no concelho do Sabugal e a avançarem para Belmonte, onde o fogo foi dominado às 10h30, passando a fase de rescaldo, segundo fonte dos CDOS de Castelo Branco.

 

O fogo lavrou em parte dos terrenos que já tinham ardido no maior incêndio da Europa em 2009, com 10 milhões de euros de prejuízos e que afectou o concelho do Sabugal. Esta noite, as chamas queimaram ainda diversas áreas adjacentes.

 

De acordo com a protecção civil dos distritos da Guarda e Castelo Branco, desta vez não há registo de prejuízos como em 2009, mas houve dezenas de pessoas cercadas pelo fogo em Maçainhas.

 

“Estivemos aqui a noite toda a molhar os telhados e tudo à volta”, descreveu Maria Pacheco, de 67 anos, que viu as férias em casa da filha transformadas numa luta pela sobrevivência.

 

Às 00h20 a família foi acordada por um vizinha que os alertou para a proximidade do fogo. “Acordei e em segundos já estava a arder o pinhal junto à casa. Entrei em pânico”, relatou.

 

A filha Elisabete Pacheco, de 39 anos, levou a neta de cinco anos e os dois carros para a aldeia, mais afastada das chamas e junto à A23, enquanto a mãe e o marido protegeram a casa.

 

“Já o ano passado andei a apagar o fogo por esta altura”, referiu, numa alusão ao fogo do Sabugal que destruiu 12 mil hectares de mato, floresta e terrenos agrícolas. “Andamos sempre com o coração nas mãos”, lamentou.

 

A poucos metros, Ilda Rosa e o marido José Marques levaram mangueiras durante a noite para junto de um pavilhão onde um familiar guarda animais e ao qual se encostaram as chamas.

 

“Depois de conseguirmos tirar para camiões, estávamos nós cercados pelas chamas. Os bombeiros disseram-nos para esperar até chegarem mais carros de combate”, contou Ilda Rosa, que esteve no local, junto ao apeadeiro de caminho-de-ferro de Maçainhas, entre as 22h00 e as 05h00 da madrugada.

 

Naquela zona há telefone fixos que não funcionam, uma vez que o fogo destruiu alguns postes de telecomunicações, assim como arderam algumas das travessas do troço da linha de ferro da Beira Baixa, que está desactivada para obras entre a Covilhã e a Guarda.

 

O fogo provocou sustos no concelho de Belmonte, mas lavrou sobretudo em terrenos do Sabugal.

 

Segundo António Robalo, presidente da Câmara do Sabugal, o incêndio “não teve prejuízos avultados, ocorreu sobretudo numa zona inóspita e, segundo consta, teve origem numa deficiência numa linha elétrica. Não é algo usual, nem tão pouco algo que se controle”, realçou.

 

O autarca garantiu que “está a ser feito tudo o que humanamente possível para tratar da floresta e evitar incêndios no concelho”, nomeadamente depois do incêndio do ano passado, seja ao nível da prevenção como de vigilância.

 
Lusa
 
Tags: bombeiros, belmonte,
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