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Organizações sem missão

2010-07-14
 


 
Termos a UBI foi um dos maiores sucessos da nossa região

 

Entre os Recursos de uma empresa estão as pessoas, empresários, dirigentes, quadros, trabalhadores.

 

As relações que essas pessoas, sob a autoridade e responsabilidade dos empregadores, estabelecem com outros recursos da organização, sejam estes equipamentos, tecnologias e produtos, constituem os objectivos de cada organização de trabalho., conceito responsável pela riqueza dos países do norte e centro da Europa.

 

O empenhamento, valorização, auto responsabilidade, qualificações e formação asseguradas pela organização são, entre outros, alguns dos factores sem os quais esta não será qualificada, nem qualificante de outras com as quais se relaciona.

 

 Sem tais atributos ela não será produtiva nem competitiva, e com estruturas tanto mais simples quanto mais perto estivermos de dimensões micro e familiares das nossas empresas.

 

Claro que quanto mais forte e por isso  mais sustentável for uma organização, mais fortes tendem a ser as condições de trabalho que nela se oferecem (remuneratórias, tempo de trabalho, segurança de emprego).

 

Também é óbvio que onde as condições de trabalho se fragilizem, maior tende a ser o papel dos sistemas de fiscalização e das organizações de classe, de ambas as partes, note-se.

 

Assim, as relações de trabalho estruturam-se numa perspectiva de organização de trabalho, como numa perspectiva legal, se aquela se fragiliza. A perspectiva legal vem corrigir as insuficiências da organização do trabalho, da empresa ou instituição.

 

Outra questão, são as razões da fragilidade da organização de trabalho, variando de região para região.

 

Em regiões envelhecidas, como as do nosso interior, a falta de qualificações aumenta a debilidade da organização.

 

Com efeito, do envelhecimento da população activa resultam alterações em termos de adequação dos conhecimentos, competências e da capacidade de aprendizagem dos trabalhadores., como dos empresários Por isso, os modelos de aprendizagem ao longo da vida privilegiam a experiência e os conhecimentos acumulados, para os trabalhadores serem valiosos no mercado de trabalho e para os empresários apostarem na enriquecimento das suas organizações. Algo tem sido feito.

 

Outra variável, nacional, é a do analfabetismo, onde se registam alterações quantitativas, embora muito falte fazer ao pensarmos nos nossos 9 por cento (12 por cento, para as mulheres, pelo censo de 2001), comparando com os 30 por cento de analfabetos de 1970, alguns em idade activa, ao prolongar-se a idade de trabalho.

 

(Note-se que em 1910 Portugal ainda tinha cerca de três quartos da sua população sem ler nem escrever, valor acima do dos restantes países do Sul da Europa e muito distante da realidade do Norte da Europa, onde esse problema estava já controlado no início do século XX Em meados do século XX Portugal estava numa situação mais desfavorável do que a dos países do norte europeu em meados do século XIX, dizem os autores).

 

Neste plano, o termos a UBI foi um dos maiores sucessos da nossa região.

 

Finalmente, note-se que o localismo dos mercados tradicionais, modelo da cultura empresarial ao longo de anos, acentuou a fragilidade, até de capitais, das nossas organizações de trabalho, enquanto não houve uma rede viária que assegurasse acessos estratégicos fundamentais para a região: ainda todos nos lembramos das cinco horas necessárias para chegar a Lisboa, não sei quantas ao Porto, Aveiro e …esperamos ainda por Coimbra….E também esperamos pelas portagens em 1 de Janeiro de 2011, estas em nome da crise, que abalam a vantagem que a região possuía e que contrabalançava positivamente o nosso isolamento histórico.

 

 

 
Ayres de sá
 
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