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Moeda falsa

2010-06-23
 


 
A situação actual é semelhante à do Titanic que, em iminente afundamento, mantinha a sua orquestra a tocar como se tudo estivesse a correr bem

Há alguns anos deu que falar um célebre artigo publicado pelo actual Presidente da Republica que opinava sobre a “boa e a má moeda”.

 

 

Os tempos não vão fáceis para ninguém. Não deixa de ser curioso verificar como a classe dirigente que, na última década nos tem governado, tem entre silêncios e ruídos inexplicáveis empurrado os problemas do País para a actual situação. A verdade tem passado sempre ao lado e, de mentira ou melhor como agora se diz, de inverdade em inverdade tudo se diz e desdiz com a maior descontracção e falta de decoro. Tudo cheira a moeda falsa devidamente embrulhada em silêncios convenientes ou conversa fiada que vai dar ao mesmo.

 

 

Afinal o que se passa com o País? Quem fala verdade? Vivemos ou não à beira de bancas rotas... periódicas? Não há ninguém que nos explique a situação real e nos saiba informar como vamos sair dos sucessivos entalões que nos vão desestabilizando? O discurso politico já todos percebemos que mente de acordo com as conveniências. Preocupante são as recentes notícias que nos informam que os partidos políticos devidamente assentados na Assembleia da República devem todos uns milhões de...”euritos”, cerca de 50 milhões, o que convenhamos são apenas trocos no bolo do endividamento. Está explicada a razão pela qual o País deve o que deve e teve que pedir emprestado entre Janeiro a Abril deste ano 60 milhões de euros por dia, qualquer coisa como 2,5 milhões à hora, para aguentar o precário equilíbrio do país. Está visto que afinal esta coisa de pedir não é defeito é feitio e claro os maus hábitos mais tarde ou mais cedo tem sempre um preço a pagar.

 

 

Há demasiados dirigentes do País que confundem ilusões com esperança o que tem significado demasiada oratória e demasiada conversa em que a falsidade tem sido a regra do jogo dos interesses instalados. Qual é afinal a verdade sobre o Estado da Nação? Chega de justificações ou roteiros com retóricas mais ou menos generalistas. Queremos saber o estado da “moeda verdadeira”,que é como quem diz o real estado do endividamento total e dos vários défices que são falados.

 

 

O País tem andado embrulhado nas conveniências da ocasião política.

 

 

A poupança Estado é muito curta e demasiado lenta. Uns poucos milhões mais parecem ser poupança no farelo, quando comparadas com os 60 milhões de endividamento diário. Os números que, aqui e ali, vão aparecendo numa atrapalhada e difícil tarefa de poupança, não chegam para pagar uma semanita de empréstimos.

 

 

Até onde iremos para que a despesa do Estado seja racionalmente travada? Esperam-nos mais impostos para pagar as incapacidades instaladas? Será que estamos à espera duma “ditadura financeira” imposta por um qualquer FMI de serviço para ganharmos juízo? Estamos todos no mesmo barco e a rota do bom caminho só será possível com a assumpção da verdade e o consenso da maioria possível. A situação actual é semelhante à do Titanic que, em iminente afundamento, mantinha a sua orquestra a tocar como se tudo estivesse a correr bem. O tempo das mentiras e das ilusões tem que acabar e espera-se que pelo menos um dos poderes da Democracia, acima de qualquer suspeita, ponha fim à falsa moeda. Quem será? Exactamente quem sempre soube destas coisas de moedas...boas e más.

 

 

 
José Vicente Ferreira
 
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