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A alma das aldeias são as crianças

2010-06-23
 


 
Freguesias da Covilhã recusam fecho de escolas e dizem que medida mata as aldeias

 

 

Barco, Coutada, São Jorge da Beira, Ourondo, Casegas e Vales do Rio. São estas, no concelho da Covilhã, as escolas que o Ministério da Educação quer encerrar no próximo ano lectivo, Uma resolução do Conselho de Ministros, datada de 14 de Junho deste ano, ditou que as escolas do primeiro ciclo do ensino básico “devem funcionar, com pelo menos, 21 alunos”, fechando-se aquelas que não obedeçam a esse critério. A maioria das escolas das aldeias do Interior. “É o fim das freguesias” vaticina o presidente da Junta de Freguesia de São Jorge da Beira, Fausto Batista. 

 

 

Segundo o Sindicato de Professores da Região Centro, após um levantamento efectuado, no distrito de Castelo Branco poderá haver “cortes significativos” se esta regra for aplicada “de forma cega”. Em causa estará um terço das escolas existentes. Ou seja, 47 entre as 131 em funcionamento. O Sindicato acusa o Governo de ter em conta apenas critérios economicistas e não pedagógicos, levando crianças para centros escolares que, em alguns sítios, nem existem, pois não estão concluídos. Ou por outro lado levar alunos para escolas de acolhimento com piores condições que as escolas de origem, tornando penoso para as crianças uma simples ida à escola, com deslocações longas, com o ter que levantar muito cedo para apanhar um transporte que o Sindicato pede ao Governo que explique quem paga. Nas aldeias, pais e autarcas, a uma só voz, garantem que tudo farão para manter as escolas onde eles próprios iniciaram o “B-A-BA” da vida….

 

 

“É mais uma medida que contribui para a desertificação do Interior” assegura Jerónimo Barata, presidente da Junta de Freguesia do Barco. O autarca recusa o fecho da sua escola, que diz estar bem equipada, onde se investiram, há poucos anos, “alguns milhares” e que, caso feche, ficará sem utilidade. “Não sei se o Governo a quer para criar ratos e ratazanas” ironiza.

 

 

Vales do Rio assegura 21 alunos para o ano

 


Nas freguesias, autarcas e pais têm reunido para analisarem o futuro escolar dos seus filhos. E mostram-se completamente contra a medida do Governo. Em Vales do Rio, em Assembleia de Freguesia, os pais dos 17 alunos que frequentam a escola mostraram o seu descontentamento ao autarca João Casteleira Ferreira, que assegura que para o ano, a escola assegura o mínimo que o Ministério impõe: 21 crianças. “Temos 17 e para o ano há mais quatro para inscrever. Ou seja, a escola pode funcionar normalmente” garante. “Os pais não querem tirar daqui os filhos. Eles são criados cá, têm o apoio dos pais e avós, e se saírem irão para um sítio onde as crianças andam amontoadas, sem um apoio essencial que é o da família. Aliás, o Governo não tem em conta o papel que a família desempenha na educação das crianças. Só podemos estar completamente contra esta medida” afirma o presidente da Junta. O autarca diz que esta medida só serve “para a desertificação das aldeias. A alma das aldeias são as crianças. Sinto-me triste por ver um Governo que não olha às pessoas e só vê números. Mas estou convicto que a escola não fechará. Iremos lutar com todos os meios para que isso não aconteça” assegura, criticando quem, em Lisboa, aplica tais medidas. “Nós, autarcas locais, é que sabemos os problemas das pessoas e não quem está lá na capital” afirma.

 

 

“Não se fecham escolas com 14 alunos”

 


No Ourondo, há menos alunos que nos Vales. Mas, porém, um número que, para o presidente da Junta, José Agostinho, é suficiente para manter uma escola aberta. “Para o ano teremos 14 alunos. Não se fecham escolas com 14 alunos. Se tivéssemos só três ou quatro, compreendia-se. Mas temos mais” lamenta. O autarca revela que já se deslocou com um grupo de pais à Câmara da Covilhã para manifestar o seu desagrado pela medida do Ministério da Educação, que “só contribui para a desertificação das aldeias. Tirar a escola a um meio pequeno é o pior que pode acontecer” assegura. A alternativa, para os alunos do Ourondo, é a escola do Paul, que o autarca considera “não tem” condições para acolher mais estas crianças.

 

(Reportagem completa na edição papel)

 
João Alves
 
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