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Um funeral à chuva feito no Interior

2010-06-02
 


 
Filme produzido na Covilhã estreia quinta-feira nas salas de cinema

 

Estreia quinta-feira, 3, em 20 salas de cinema do País, entre as quais a Covilhã, Guarda e Castelo Branco “Um Funeral à Chuva”, a primeira longa-metragem de Telmo Martins, filmada sem qualquer financiamento.

 

 

A película, rodada inteiramente na Covilhã, conta a história de um grupo de amigos, antigos estudantes na Universidade da Beira Interior, que regressam à cidade após dez anos sem se verem, para o funeral de um deles, que queria ser sepultado na Serra da Estrela.

 

 

“O objectivo foi falar da amizade. É sobre as relações de amizade e carinho criadas por um grupo de amigos que se conheceram na universidade, mas aquele tipo de relação entre as pessoas pode surgir em qualquer lado”, frisa o cineasta. “Quisemos relembrar as pessoas que não se podem esquecer de quem gostam, porque às vezes isso fica para último plano”, explica Telmo Martins.

 

 

Fazer “Um Funeral à Chuva” era um desejo antigo, depois do sucesso das curtas realizadas. “Este grupo cansou-se de esperar. Cansámo-nos de tentar encontrar subsídios. Chega-se a uma altura na vida, quando se persegue um objectivo profissional, em que ou se pára ou se arrisca. Foi o que fizemos”, diz o cineasta, sócio da Lobby Productions, empresa responsável pela película, e também ele antigo aluno da UBI.

 

 

Considerando os apoios na casa dos 700 mil euros atribuídos pelo ICAM, que não contemplou este projecto, ou os 270 milhões de orçamento de Robin Hood, “Um Funeral à Chuva” quase não teve custos. Ainda assim, os 80 mil euros necessários, apesar do apoio logístico recebido de amigos, instituições e empresas, obrigaram a Lobby Productions a “empenhar-se financeiramente”.

 

 

“A própria Covilhã é uma personagem”

 


Do elenco fazem parte nomes sonantes do cinema e da televisão. Alexandre Silva, Hugo Tavares, Pedro Górgia, João Ventura, Sílvia Almeida e Adelaide João são alguns deles. “Fomos sinceros com eles. Dissemos-lhe que queríamos fazer este filme mas não tínhamos dinheiro. Aceitaram participar e acordámos que receberiam uma percentagem do lucro”, conta Telmo Martins.

 

 

Rodar num outro local, como Coimbra, teria mais vantagens. Mas optou-se pela Covilhã. “Na minha vida a própria Covilhã, a interioridade, é uma personagem. A cidade tem um papel importante na minha vida”, sublinha. “Quisemos mostrar que o Interior também existe, também tem gente com capacidades e vemos isto como um grito”, acrescenta Telmo Martins.

 

 

Não sendo auto-biográfico o guião, escrito por Luís Campos, “mostra muitas coisas reais”. O realizador diz que seria impossível fazer este filme, tal como é, sem que tivesse estudado e vivido na Covilhã. A película, explica, tem “níveis de compreensão diferentes”.

 

 

“Para se entender o filme no seu todo têm de se ter vivido algumas coisas”, realça Telmo Martins. Quem andou na tropa, exemplifica o realizador, “entenderá “Um Funeral à Chuva” como uma metáfora para a sua experiência”. “Cada um vai interpretar à sua maneira, em função do que viveu”, salienta o autor da película.

 

 

A intenção foi fazer um filme popular, sem descuidar a parte estética, criativa e artística. “É um filme competente, honesto, divertido, puro, mas muito profissional”, garante Telmo Martins.

 

 

A estreia é hoje em 20 salas com suporte digital e o tempo que estiver em cartaz vai depender da adesão das pessoas. Embora não faça disso ponto de honra, a equipa tem como meta os 80 mil espectadores. Esta comédia, que tanto faz rir como chorar, tem a duração de 118 minutos.

 

 

 
Ana Ribeiro Rodrigues
 
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