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Achegas para a história do Ferro

2019-05-08
 


 
O Ferra era ainda só uma herdade, pertença de um mosteiro

 

O sentimento de pertença a determinado local resulta sobretudo do conhecimento que possuímos sobre o mesmo. Não admira pois que a génese e História de uma povoação se revista de especial interesse para os que nela habitam ou se consideram seus filhos. Desta forma procurarei nos próximos artigos trazer a lume algumas achegas para a história das povoações do nosso concelho, iniciando-se este périplo pela Vila do Ferro. Esta freguesia apresenta uma ocupação humana comprovada desde o calcolítico de que é testemunho o emblemático monólito do parque do Cilindro. Porém é na proto-história que ali surge o primeiro aglomerado populacional com uma organização socio-administrativa, o povoado amuralhado das Sesmarias ou Semaria, abandonado durante a romanização. Este estaria já desabitado no século II d.c. quando bem perto dele foi gravada, na designada pedra do Adufe, uma inscrição votiva à deusa Nábia. Apesar dos muitos vestígios do período romano e da Alta Idade Média, designadamente nos sítios das Rasas ou Quinta da Madeira, não podemos ainda falar de uma povoação no sentido contemporâneo. Tratava-se antes de um considerável número de explorações que se distribuíam de acordo com a fertilidade dos solos e facilidade de acesso. Um cenário não muito diferente do mundo rural de hoje onde se dispersam várias quintas.

 

 É já na Idade Média Plena que nos chegam documentos que demonstram o surgimento daquela que se haveria de tornar a actual vila do Ferro. O primeiro, já referenciado por autores como Graça Vicente ou Pereira Folgado, data de Dezembro de 1231. Falamos do aforamento das herdades do Sangrinhal, Porcas e Ferro feito pelo mosteiro de Santa Cruz de Coimbra a Soeiro Esteves e sua mulher Urraca Martins. Daqui se constata que o Ferro era ainda só uma herdade, pertença de um mosteiro que agora delegava em Soeiro Esteves a função de a povoar, romper, plantar e fazer dar fruto, de acordo com o teor do contrato. Em contrapartida Santa Cruz de Coimbra garantia, para si, uma renda constituída pela quarta parte do pão, alhos, cebolas, legumes e linho. Refira-se que a cultura do linho e sua transformação estiveram sempre presentes na região, e no caso concreto do Ferro, originaram o topónimo Ribeiro de Linhares. Da renda fazia ainda parte, metade do vinho proveniente das vinhas já existentes e a quarta parte das que se viessem a plantar. Previa igualmente, a oitava parte das castanhas, maçãs, peras e cerejas. Devemos ter em conta que a exploração não seria feita somente por Soeiro Esteves. Cada casal da referida herdade daria ainda, um cabrito pelo Natal, um almude de trigo pelo São Miguel, um capão, e vinte ovos por ano. A presença de outos povoadores é confirmada pela carta de aforamento acima referida “vos damos a vós bem como àqueles que convosco e por vossa vontade quiserem povoar as herdades”. Desta forma a instalação de vários casais (pequenas explorações), originariam o surgimento de pequenas aldeias.

 

Passados cerca de sessenta anos surge um outro documento, até agora nunca analisado, que pela primeira vez refere a designação aldeia do Ferro. É uma doação de quatro casais por Fernão Eanes à Ordem de Avis, em Julho de 1298, dois na aldeia do Ferro e dois na aldeia da Póvoa, desta última ficou apenas, para memória, o topónimo. A doação, com a manutenção do usufruto para si, reflecte a religiosidade medieval bem como a procura de um estatuto. A escolha da Ordem de Avis deve-se provavelmente a alguma ligação de Fernão Eanes com São Vicente da Beira, cujas terras eram senhoriadas pela referida Ordem.

 

 Na mesma época, outros lugarejos se distribuiriam pelo território que constitui a actual freguesia. Cabral de Pina, em 1734, alude ao lendário sítio de Alvares ocupado por um dos patriarcas da família Bernardo Macedo Castello-Branco, um dos infantes do Carrião. O mesmo autor refere ainda, e agora com mais evidências históricas, o lugar de Seves igualmente pertença da aludida família, padroeira da Igreja de São Silvestre da Covilhã. Esta possuía terras no Monte Serrano, Penadia, Salgueiro, Quinta Nova e Quinta da Madeira que, segundo as memórias paroquiais de 1758, ainda pertenciam nessa data, pela razão referida, à paróquia de S. Silvestre. (Continua)

 

 
Carlos Madaleno
 
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