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O ovo da serpente

2018-10-31
 


 
Vemos sinais preocupantes que anunciam que a serpente do fascismo vai pondo o seu ovo na modernidade

 

Nos últimos tempos, o cenário político um pouco por todo o mundo tem-se tornado propício para o reaparecimento, também no campo do cinema, de alertas para as ameaças da emergência do fascismo. Alguns, mais eufemísticos, quiçá condescendentes com as ameaças do dito, preferem o leito cómodo das posições acomodatícias, mas, como no-lo mostra a História das três primeiras décadas do século XX, roçantes da irresponsabilidade, etiquetando o fenómeno ou os seus sinais com o termo «populismo». Neste contexto e neste «caldo de cultura», o revisionamento do filme «O Ovo da Serpente», de Ingmar Bergman, que se estreou nos cinemas em 1977, reveste-se de singular oportunidade.

 

O filme do realizador sueco foi classificado como «um filme raro sobre o nazismo na Alemanha» e os seus cenários decorrem na Alemanha da República de Weimar que ardia em superinflação, medo, crime, tortura e morte perpetrados por «milícias» que com toda a ilegalidade do mundo pululavam nas cidades e nas ruas, semeando crime, o horror e a angústia. E o apelo, implícito e também explícito, a um tal «salvador de Munique», enviado para a todos salvar, era soprado à surdina e em voz alta, punhos ameaçadores contra os judeus e outras etnias que não a «raça superior ariana», e que “conspurcavam” o «povo alemão». É que eram precisos «bodes expiatórios», culpados de uma crise que fora provocada pelos mercados desregulados, mas também uma crise cultural e espiritual que adubava a intolerância, a recusa do outro e a diabolização do estrangeiro. Enfim, a mediocridade campeava e a linguagem era o seu veículo por excelência.

 

Não é por acaso que Ingmar Bergman é tido como um realizador que a todos faz pensar. À semelhança de Thomas Mann, que, exilado nos Estados Unidos, proferiu em 1939 a célebre declaração (ou profecia?) na qual avisava que se um dia o fascismo chegasse aos Estados Unidos da América seria por via democrática, isto é, através de eleições.

 

Olhemos, pois, os sinais dos tempos, e estudemos a História, seguindo o conselho de Confúcio. Captemos com argúcia tais sinais que, no nosso presente, parecem apontar para algo que não desejamos. E sim, veremos também sinais que apontam para a esperança da emergência de um novo paradigma humanista, mas também alguns, preocupantes, que apontam para a barbárie. Não interessa se tais sinais são eloquentes. O que importa é compreender o seu verdadeiro significado. Porque são sinais de algo que pode estar para vir, do melhor ou do pior. Nos primeiros, saudemos a atitude da primeira-ministra da Escócia, a senhora Sturgeon que, num acto notável de lucidez e coragem política, se recusou a participar numa conferência lado a lado com o sinistro Steve Bannon que vagueia pela Europa a semear a cizânia ou o veneno do fascismo. Enorme atitude a desta senhora. Que a engrandece e ao seu país. Orgulhemo-nos também pela atitude cívica e solidária de quantos, em Portugal, não quiseram deixar de colocar o seu nome num Manifesto em defesa da vitória da democracia e do Estado de Direito no Brasil neste acto eleitoral, no qual estão em confronto a barbárie e a civilização. E também do jornal Expresso devemos estar orgulhosos.

 

Mas, do outro lado, vemos também sinais preocupantes que anunciam que a serpente do fascismo vai pondo o seu ovo na modernidade e nos valores do Iluminismo. No Parlamento Europeu, um deputado italiano bateu com o seu sapato num documento da Comissão Europeia, levando a que Moscovici a todos nos avisasse que um dia «acordaremos com o fascismo...». Por cá, há pouco tempo, um outro, com aspirações perenes a político, referindo-se ao grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, composto como sabemos por dezanove deputados, proferiu esta «pérola»: «o Bloco com os seus dezanove robles...»...Acham que ficou atrás do homem do sapato? Foi nas redes sociais, evidentemente onde a mediocridade privada é contradita pela pública «elevação».

 

O nosso dever cívico, de pessoas civilizadas, é, pela cultura, pelo debate frontal e sereno, apostar no único regime que garante e assegura a convivência plural e fraterna entre os povos. Antes que o ovo da serpente se transforme no monstro.

 

 

 
António Rodrigues de Assunção
 
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